“Só da luta brota a liberdade: a construção do 8 de março popular! “

3ª diretora de Mulheres da UNE, Paulinha Silva, relembra a histórica luta das mulheres em torno do 8 de março e a necessidade das mulheres se manterem organizadas

3ª diretora de Mulheres da UNE, Paulinha Silva, relembra a histórica luta das mulheres em torno do 8 de março e a necessidade das mulheres se manterem organizadas
Muitos pensam que o dia Internacional de Luta das Mulheres surge em razão de um incêndio numa fábrica têxtil em Nova York, mas na verdade a data é marcada pela história de muitas mulheres ao redor do mundo que enfrentaram regimes autoritários e abalaram o sistema. A primeira mulher que propôs o dia foi Clara Zetkin, em 1910, na Segunda Conferência Internacional de Mulheres Trabalhadoras. Naquele momento a luta pelo sufrágio era efervescente e as feministas já entendiam que lutar pelos direitos das mulheres unifica e fortalece a construção de uma grande transformação social. A partir desta conferência, o 8 de março é uma agenda consolidada da resistência de todos os povos, e vários países começam a realizar ações nesse dia. A mais marcante é no 8 de março de 1917, quando as mulheres russas foram as primeiras a tomarem as ruas de Petrogrado (hoje São Petersburgo) e iniciaram o processo da Revolução Russa que derrubou o tsarismo.

Nós, estudantes brasileiras, podemos contar com o histórico amplo e formativo da luta feminista, também somos fruto das lutas e conquistas de todo povo brasileiro. Ao ocuparmos o espaço da universidade que é nosso por direito, nos responsabilizamos por fazer com que muitas outras e outros estejam ali. E assim fazemos a luta pela educação que não está dissociada da luta por um país igualitário e sem opressões. Agora que temos presidente, governadores, prefeitos e legisladores extremamente machistas e ultra-libeirais vemos que nossos direitos mais básicos e até mesmo nossas vidas estão em risco. O Atlas da Violência de 2019 aponta que no último período o feminicídio cresceu. 13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil, sendo que 66% são negras e a maioria com baixa escolaridade. O número de mulheres mortas por arma de fogo dentro de casa cresceu 28,7%. De acordo com o Ministério da Saúde uma mulher é agredida a cada 4 minutos. Não vemos o governo Bolsonaro se preocupar com a vida das mulheres, prova disso é que o principal programa de combate a violência contra a mulher não recebeu um centavo em 2019.

As prioridades do governo são medidas que agravam os problemas sociais, tornam a vida do povo pior e as mulheres são as mais prejudicadas. Eles querem vender nossas empresas públicas como a Petrobrás, que é responsável também por financiar a educação. Sem educação mulher não tem autonomia. Aprovaram um grande retrocesso na previdência social, não sendo o bastante, ameaçam instituições importantes da nossa frágil democracia. E nós não podemos nem vamos aceitar.

Além de ir pra rua é necessário nos organizar, construir linhas políticas de atuação que nos orientem como permanecer organizadas e organizando outras mulheres no dia a dia. Nesse sentido a UNE já convocou o 9º Encontro de Mulheres Estudantes (EME), que acontecerá de 10 a 12 de abril em Vitória – ES. É na rua, é na universidade, é no encontro que nós vamos colocando o feminismo em pauta e construindo a força necessária para barrar o projeto capitalista, racista e patriarcal dos governantes. No 8 de março vamos com um tsunami de mulheres fazer a denúncia, também estaremos presente no dia 18 ( dia nacional de lutas pelo Brasil) e nos reencontramos no EME que será um espaço de formação e preparação para fazermos mais resistência.
Ao olhar para o passado vemos o potencial de enfrentamento gigante das mulheres. Hoje vivemos tempos sombrios no nosso país mas a esperança de viver os dias de liberdade é forte e deve nos impulsionar a semear a resistência feminista e popular em todo Brasil.

*Paulinha Silva é 3ª diretora de Mulheres da UNE, Militante do Levante Popular da Juventude e estudante de Pedagogia na UEMG. 

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