Resistimos para transformar: feministas em defesa da educação e pela soberania

Diretora de Mulheres da UNE, Elaine Monteiro faz um chamado às estudantes para participarem do IX EME de 10 a 12 de abril

Diretora de Mulheres da UNE, Elaine Monteiro faz um chamado as estudantes para participarem do IX EME de 10 a 12 de abril

O Encontro de Mulheres Estudantes da UNE, após 8 edições, se consolidou como o maior encontro nacional de mulheres estudantes feministas e um dos maiores da América Latina. No passar desses anos, as universidades brasileira foram profundamente transformadas e o EME é parte desse ensejo político de gerações de mulheres que são provocadas a sair do lugar comum e fazer da sua ação uma possibilidade de transformação social.  O encontro é um ambiente importante para fomentar a discussão e a troca de experiências das universitárias de norte a sul do país, é um espaço de formação política feminista e de manifestação da universidade democrática que acreditamos.

O Brasil vive hoje um momento de intensa polarização social, no qual avança a ultradireita com traços fascistas, representada pelo projeto político de Jair Bolsonaro que aprofunda desigualdades enquanto acresce o autoritarismo, a censura, a intolerância, o racismo, a misoginia e diversas outras violências. Além de apresentar um projeto educacional que cerceia o pensamento crítico, desmonta os programas de democratização do acesso ao ensino superior, como o SISU, e corta os investimentos em pesquisas. Por outro lado, nós nos inserimos em um desafio maior sobre os rumos da nossa sociedade: o de recuperarmos a soberania do nosso povo, enfrentar o genocídio da população negra e nos levantarmos contra a militarização dos nossos territórios, em defesa da democracia e por uma educação emancipadora.

Faz parte desse momento uma reação patriarcal associada a medidas liberais que compõem o poder conservador nos diversos países da América Latina e principalmente no Brasil, impondo uma agenda de retirada de direitos e precarização da vida das pessoas mais pobres. As disputas em torno da agenda de gênero compõem, atualmente, a crise das democracias liberais e são também uma chave na conexão entre o conservadorismo e a ascensão de projetos autoritários

Pensando ainda na realidade da América Latina, mesmo em tempos tão difíceis, é comum vermos o avanço do feminismo em sua diversidade de percepções. Essas experiências e alternativas que são forjadas no enfrentamento ao conservadorismo são alianças feministas com projeções locais e internacionais que inspiram e alimentam a esperança por outro mundo possível. É nesta efervescência que o IX EME se insere.

Quando nós estudantes dizemos não ao modelo dominante, abrimos caminho para a construção de nossas propostas, baseadas nos princípios da solidariedade, coletividade, redistribuição econômica e harmonia com a natureza.

Esse chamado ao IX EME – que vai acontecer de 10 a 12 de abril – surge como uma agitação a todas as mulheres! O encontro tem como proposta aproximar a diversidade das realidades de mulheres por todo o Brasil. Sejam as mulheres do campo, das cidades, dos quilombos, das favelas, do cerrado, das águas ou das florestas.

A Diretoria de Mulheres da União Nacional dos e das Estudantes convida mais uma vez as estudantes brasileiras para construir debates feministas, campanhas, coletivos e diversas ações nas mais distintas instituições, e é justamente agora, no tempo histórico em que precisamos construir alianças em defesa da educação públicas brasileira.

Resistimos para transformar a vida das mulheres! O feminismo popular e antissistêmico é o que nos move na luta por emancipação, equidade, justiça, solidariedade, em defesa dos bens comuns, dos nossos territórios e pela soberania dos povos.

*Elaine Monteiro é diretora de mulheres da UNE, militante da Marcha mundial das mulheres e estudante de história da UERJ.

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