Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Quem mandou matar Marielle?, por Dara Sant’Anna

Somos um país de 519 anos de história de assassinato, tortura e violência. Um país que conta seus anos a partir da chegada de caravelas, que levaram povos inteiros a inexistência, e que por 388 anos chamava de “senhor”, de “pessoa de bem”, de “coronel”, de “reis”, “imperador” e “barão” pessoas que sequestraram, mataram, mandaram matar, estupraram, torturaram e exploraram outras pessoas. Crimes que nunca foram julgados e fortunas que foram feitas em cima de muita dor, sem nunca serem questionadas.

Hoje, somos chamados a tocar em nossa ferida histórica jamais tratada, no machucado aberto e podre estampada em obras de arte, em livros, mas nunca tratada.

Hoje, faz 1 (um) ano que assassinaram Marielle Franco e Anderson Gomes.

Hoje, faz 1 (um) mês que assassinaram Pedro Gonzaga.

Hoje, faz 1 (um) dia do massacre de Suzano.

Hoje, o Brasil é questionado sobre seus crimes e sua história de violência!

Marielle Franco favelada, mulher, lgbt e preta era o espelho que refletia uma expectativa de futuro para muitas e muitos jovens negros, era exemplo de vida e um suspiro de esperança. Marielle foi capaz de com todas as adversidades se colocar em movimento e lutar para transformar a sociedade ao seu redor. E como já disse Angela Davis: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela.”

Marielle Franco coordenou por anos a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), tendo participado da CPI das Milícias, foi eleita a 5ª Vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro em 2016. Seguiu fazendo enfrentamento a atuação das milícias e, poucos dias antes de morrer, com o Rio de Janeiro já sob intervenção federal Marielle denunciou abusos de milícias e integrava a Comissão da Câmara de Vereadores que iria acompanhar o processo de intervenção.

Marielle foi executada pois estava abalando com as estruturas da sociedade racista, machista, misógina, classista e lgbtfobica, foi executada por questionar e buscar respostas, foi executada pois 71,4% das vítimas de mortes violentas são negras.

Hoje, o Brasil é chamado a responder quem matou Marielle?!

E essa pergunta é a cobrança de uma dívida histórica.

Queremos respostas sobre a Chacina do Fallet, a Chacina de Costa Barros, a Chacina da Candelária, a Chacina do Cabula, a Chacina na Grande São Paulo…

Marielle Franco é símbolo de um povo cansado de luto, cansado de ser apagado e exterminado, mas com fome de justiça!

Justiça por Marielle e Anderson!
Justiça por Pedro Gonzaga!
Justiça para o Povo Preto!
Justiça para os explorados, excluídos e marginalizados!
Nenhuma a menos e Nenhum passo atrás!

Dara Sant’Anna, diretora de combate ao racismo da UNE

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo