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”Organizar a luta, defender a educação”

Confira artigo escrito por Michel Fukuda, estudante de Gestão Pública no IFSP Pirituba e Diretor LGBT do Centro Acadêmico Nilo Peçanha

Não é novidade que Bolsonaro é inimigo da educação. Seus posicionamentos, desde antes da eleição, já indicavam que, se eleito, estaria na contramão de um projeto de educação popular e democrática. Não havia muito que esperar de quem chamou os Centros Acadêmicos, permanentemente mobilizados para melhorar a educação, de “ninhos de rato”.

A avaliação geral que se faz de seus primeiros meses de (des)governo por vezes é de que não se passa de um trapalhão sem governabilidade alguma, incapaz de por em prática sua agenda. Entretanto, tal avaliação é válida apenas parcialmente. Se por um lado Bolsonaro encontra muitas dificuldades em mercantilizar a previdência, entregando-a nas mãos dos banqueiros, por outro vem promovendo inúmeros ataques a tudo aquilo que foi conquistado durante os governos populares.

Na educação o governo Bolsonaro promove o corte sistemático de verbas desde o início do mandato. De uma só vez tirou 5,9 bilhões de reais da educação e, como anunciado por Paulo Guedes, quer desvincular o orçamento da União, acabando com os investimentos mínimos em educação.

Nesta semana, seu ministro da educação, Abraham Weintraub, anunciou o contingenciamento de 30% do orçamento da UFBA, UFF e UnB, justificado por ele devido à “balbúrdia” que as universidades estariam fazendo ao permitir a realização de eventos e atos políticos. Não coincidentemente, foram essas as universidades que sediaram o Conselho Nacional de Entidades de Base e a Bienal da UNE, o Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE e irá sediar o Congresso da UNE em julho, respectivamente.

Bolsonaro e Weintraub valem-se do aprofundamento de suas políticas neoliberais de desmonte total do Estado para censurar as universidades e boicotar a União Nacional dos Estudantes. Ameaçam com cortes porque sabem que é nas universidades, através da educação emancipadora, onde cria-se o contraponto ao fascismo.

Com a péssima repercussão veio o recuo que é ataque: cortar 30% do orçamento de todas as Universidades e Institutos Federais, aprofundando ainda mais o desmonte da educação e, portanto, do Estado e penalizando toda a rede federal.

Não bastante, ainda temos que engolir o anúncio do presidente de que os recursos para a educação serão descentralizados, de modo que receberão mais os cursos de exatas e biológicas e menos os de humanas, inserindo cada vez mais o ensino superior em uma lógica de formação de mão de obra e mercantilista, onde é o mercado quem pauta a produção acadêmica, e ignorando a transdisciplinaridade necessária para todas as ciências.

Tais desmandos escandalosos encontram apoio na parcela iletrada da classe média baixa que, de modo ambivalente, inveja e odeia o conhecimento que não possui, como apontado pelo sociólogo Jessé Souza. É essa demografia, que quiçá foi a mais beneficiada com os governos populares, que devemos ter como centro de disputa.

Em meio a tantos ataques, há que se formar uma frente ampla em defesa da educação, capaz de mobilizar e reunir em torno de si os mais diversos setores da sociedade (estudantes, trabalhadores e trabalhadoras, movimentos sociais, intelectuais e personalidades) para que disputem a própria sociedade. Que essa frente consiga construir um movimento real de mobilização capaz de defender a educação pública, gratuita, plural, emancipadora e sem mordaças nem ameaças e chantagens.

É fundamental que todos os estudantes defendam a União Nacional dos Estudantes para que possam deflagrar este processo a partir das bases, construindo assembléias e atos em cada universidade e em preparação para um grande dia de mobilizações e paralisações em todo o país no dia 15 de maio.

Organizar a luta; defender a educação!

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