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Segurança pública pra quem?

11/07/2019 às 15:33, por Renata Bars Foto: Guilherme Imbassahy.


57º Conune abre a discussão sobre o pacote anticrime de Moro e suas reais implicações no genocídio da juventude negra e pobre do país

”60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial. A cada quatro pessoas mortas pela polícia três são negras. Nas universidades brasileiras apenas 2% dos jovens são negros. A cada quatro horas um jovem negro morre violentamente em São Paulo”. As estatísticas cantadas na letra de Capítulo 4, versículo 3 do grupo Racionais Mc’s são de 1997, apesar de parecerem bastante atuais. Segundo o Atlas da Violência divulgado em 2019 com dados de 2017, 75,5% dos homicídios no Brasil ainda são de jovens negros. Entender essa violência e discutir o atual projeto de segurança pública apresentado pelo governo – o pacote anticrime de Sérgio Moro – foi tema de debate na manhã desta quinta-feira, no 57º Conune, na UnB.

Intitulado ”80 tiros não dá mais: o modelo de segurança pública, o pacote de Sérgio Moro e a violência policial contra o povo periférico no Brasil”, o debate reuniu nomes importantes como os deputados federais Orlando Silva (PcdoB-SP), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Paulo Teixeira (PT-SP) a ex-diretora da UNE e representante do Movimento Negro Unificado (MNU) Simone Nascimento e a professora de direito penal e advogada criminalista Paola Bettamio.

Foi consenso entre os convidados que a proposta do atual ministro de justiça não resolverá o sistema de segurança pública no Brasil, ao contrário.

”Esse não é um pacote para acabar com o crime. É um pacote para acobertar o crime. Eles querem legalizar o genocídio do povo negro. O excludente de ilicitude é licença pra matar. Esse é um pacote antipovo”, falou Orlando Silva.

Para ele, a única estatística modificada desde a canção interpretada pelos Racionais é a da universidade.

”Um governo progressista colocou o pobre e o preto na universidade. Precisamos continuar avançando. Esse Congresso é de suma importância, porque enquanto eles rasgam a Constituição, a juventude se levanta pelos direitos do povo”, destacou o parlamentar.

Paulo Teixeira destacou que é necessária a construção de um projeto de segurança pública cidadã. O parlamentar participa também com Freixo e Orlando Silva de uma comissão que analisa o pacote anticrime na Câmara.

”Nós queremos uma polícia que atue sob o manto do direito e não uma polícia que possa alegar ”violenta emoção” como desculpa para matar. Esse tipo de ação é o que gera os 80 tiros que mataram o músico Evaldo Santos e o morador de rua Luciano Macedo”, pontuou Teixeira.

Unidade para avançar

Para Marcelo Freixo, este é o momento da esquerda se unir para derrotar esse projeto de poder que se instalou no país.

”Do lado de lá tem uma ameaça profunda à democracia e se isso não for o suficiente para agirmos em unidade seremos nós os derrotados”, avaliou.

Freixo lembrou de sua proximidade com Marielle Franco e da dor que sentiu ao ver a amiga assassinada.

”Ali eu percebi que estávamos diante de um crime político. Por isso, o bordão Marielle Vive não pode ser apenas narrativa. Tem que ser sentimento. Marielle tem que estar viva nas nossas lutas porque honrar a memória dela é lutar contra esse governo que quer nos derrubar”, disse.

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