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Mulheres estudantes de todo o Brasil vão ocupar as ruas no Dia Internacional da Mulher no próximo domingo

Mulheres estudantes de todo o Brasil vão ocupar as ruas no Dia Internacional da Mulher no próximo domingo

No próximo dia internacional da Mulher, brasileiras de todo o país vão às ruas convocadas pelos movimentos feministas e sociais. Além das tradicionais pautas por mais direitos em São Paulo o ato terá como tema ‘Mulheres Contra Bolsonaro! Por nossas vidas, democracia e direitos!’ e vai pedir ainda justiça para Marielle, Claudias e Dandaras. Para as estudantes a marcha vai ser um esquenta para o 9º Encontro das Mulheres Estudantes da UNE, que acontece de 10 a 12 de Abril, em Vitória no Espírito Santo.

Reunimos aqui alguns motivos para as estudantes engrossarem o coro das mulheres nas ruas de todo o Brasil:

Contra a censura e por uma educação emancipadora;

Atualmente as mulheres são maioria nas universidades, mas não nos cursos de exatas e nem na coordenação de estudos científicos. No campo da pesquisa elas ficam com 49% das bolsas do CNPq, das quais a maior parte são para iniciação científica, de menor valor e prestígio. Já nas bolsas de produtividade, mais prestigiadas, com financiamento maior, com apenas 35,5%. Somente uma educação não sexista pode equilibrar essa balança e para isso é preciso combater a guerra ideológica que o governo conservador de Jair Bolsonaro tem imposto nas instituições de ensino.

Por mais creches nas universidades;

Um dos maiores motivos da evasão escolar e universitária é a gravidez e a desigualdade na responsabilidade do cuidado dos filhos. Além disso, a educação pública, docentes e profissionais da educação têm sido atacados diariamente pelo governo Bolsonaro. Eles querem cortar ainda mais o investimento em creches, pré-escolas e ensino fundamental! Isso afetará diretamente a vida das mulheres, que dependem da creche e ensino infantil para poder estudar e trabalhar fora de casa.

Por mais segurança no campus;

Mais de 550 mulheres entre estudantes, professores e funcionárias foram vítimas de violência sexual dentro dos campi segundo levantamento feito em 2019 pelo Intercept.  Entre os casos, assédio sexual, agressão física e/ou psicológica e estupro – a maioria dentro das instalações universitárias e praticada principalmente por alunos e professores. A falta de iluminação e estrutura nos campi também facilitam a entrada de terceiros que atentam contra as mulheres.

Por uma vida sem violência;

Seja na rua, no transporte público, na universidade, na calourada, no estágio. Ser mulher no Brasil infelizmente significa estar em constante perigo de ser assediada, desrespeitada e até mesmo violentada. A cada hora, 536 mulheres sofrem agressão física, e os casos de feminicídio (assassinato) de mulheres negras aumentaram. Nas ruas vamos exigir um basta!

Por mais mulheres nos cargos de chefias;

Nas universidades federais brasileiras, há apenas 28,3% de mulheres como reitoras. Elas são 19 entre os 63 reitores, conforme levantamento de 2017. A primeira reitora negra, só chegou lá no ano de 2019 na UFSB. Mulheres são maioria entre os novos doutores e também entre os docentes do ensino superior, de acordo com dados do INEP, mas infelizmente isso não se reflete nas coordenações de curso, departamento ou mesmo direção das instituições.

Contra a divisão sexual do trabalho;

Pesquisa realizada pelo Dieese revelou que no ano passado as mulheres dedicaram às tarefas domésticas 95% a mais de tempo que os homens. Elas também ganham 22% menos que homens nas mesmas posições. Entre os jovens, segundo estudo da FGV o risco de virar “nem-nem” (nem trabalho ou estuda) é muito maior entre as mulheres, desigualmente responsabilizadas por trabalho doméstico e cuidado com os filhos. A frequência delas na escola é maior, mas o percentual das que trabalham (42%) é muito menor que dos homens (56%).

Pelo SUS e pelo cumprimento das políticas de aborto legal; 

No Brasil, o abortamento legal só é garantido em três situações: gravidez decorrente de violência sexual, quando a gestação oferece risco de vida à mulher, ou quando o feto sofre de anencefalia. Com o alarmante número de 180 estupros por dia são informações do Sistema Único de Saúde (SUS) que ajudam a entender o contexto das violações sexuais que acontecem no país porque são onde as vítimas são socorridas. Nos casos de violência sexual, o aborto é permitido até a 20ª semana de gestação. O que acontece é que a desinformação, o preconceito, e cada vez mais o sucateamento do SUS acabam por descumprir a lei.

#EleNão

Nos últimos anos, as mulheres brasileiras foram a linha de frente em campanha permanente contra a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e outros retrocessos. No processo eleitoral de 2018, milhões de mulheres foram às ruas novamente dizendo: Ele não! A resistência feminista continua alerta. Bolsonaro representa a extrema direita que ganha espaço e poder político, aumentando o racismo, o ódio contra os pobres e contra as mulheres. Estamos sentindo, todos os dias, a vida piorar. Por isso as mulheres estarão nas ruas exigindo Fora Bolsonaro!

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