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Para ler mais escritores e escritoras negras

18/11/2019 às 17:11, por Cristiane Tada.


No mês da consciência negra listamos alguns escritores para celebrar nossas origens e a importância das vozes negras para nossa literatura 

O mês da consciência negra existe para lembrar sobre a nossa descendência e contribuição da cultura negra na nossa sociedade. A data também serve com instrumento de luta contra o racismo em nosso país que apesar de amplamente miscigenado tem na desigualdade racial uma das nossas principais mazelas.

Para conhecer esse nosso Brasil negro vamos embarcar na leitura de alguns escritores imprescindíveis para nossa literatura?

Fizemos uma seleção de autores que todo brasileiro deveria conhecer:

Machado de Assis (1839-1908)

 

Considerado o maior escritor do Brasil, muita gente não sabe que Machado era negro. Descendente de escravos nasceu em uma família pobre no Morro do Livramento no Rio de Janeiro.

Precursor do realismo brasileiro e fundador e presidente da Academia Brasileira de Letras, publicou mais de 200 contos, 10 romances e demais publicações de diversos gêneros, como folhetins, peças teatrais, contos e crônicas.

Sua escrita muda ao longo da carreira que vai do romantismo ao realismo marcado por recursos como ironia, humor e pessimismo ao retratar os costumes da sociedade em sua época e desnudar o psicológico de seus personagens. Sua escrita também é caracterizada pelo o uso da metalinguagem e da intertextualidade. Tem nas obras Memória póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba seus maiores sucessos.

Lima Barreto (1881-1922) 

Os jovens podem se lembrar desse nome recorrente nas provas de vestibular das universidades brasileiros, e é verdade que Lima Barreto é um autor essencial da escola Pré-modernista. Sua estreia na literatura foi com a obra Recordações do Escrivão Isaías Caminha, obra de sugestão autobiográfica que retrata a vida de um mestiço vindo do interior do país para o Rio de Janeiro e sofre diversos preconceitos raciais.

O romance mais famoso, porém, foi Triste Fim de Policarpo Quaresma, livro que narra as desventuras de um funcionário público ingênuo, nacionalista e sonhador após a Proclamação da República no país.

Além de escritor, Barreto desempenhou também a função de jornalista, foi funcionário público e suas obras são marcadas pela denúncia das desigualdades sociais.

Carolina de Jesus (1914-1977)

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora brasileira “descoberta” pelo jornalista Audálio Dantas, na década de 1950. Moradora da favela do Canindé, Zona Norte de São Paulo, Carolina trabalhava como catadora de papel até publicar sua obra mais famosa Quarto de Despejo. O livro é uma espécie de diário sobre sua luta pela sobrevivência numa realidade de fome, violência e exclusão.

Carolina publicou ainda mais três livros: Casa de Alvenaria , Pedaços de Fome, Provérbios. O volume Diário de Bitita (1982) é uma publicação póstuma oriunda de alguns dos seus manuscritos.

Apesar do sucesso que alcançou até mesmo o público internacional, acabou esmagada pela indústria cultural e morreu na pobreza.

Conceição Evaristo

A escritora Conceição Evaristo nasceu em Belo Horizonte em 1946, mas foi no Rio de Janeiro que iniciou sua vida acadêmica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1990 ela faz sua estreia na literatura em 1990 na série Cadernos Negros.

Militante ativa do movimento negro, Conceição registra sua participação em eventos relacionados a militância política social.  Seus livros mais importantes são o romance Ponciá Vicêncio, escrito em 2003 e Olhos d´Água, que chegou à final do Prêmio Jabuti na categoria “Contos e Crônicas” em 2014.

Sua obra toda está ligada a temas muito discutidos em toda sua trajetória como a discriminação racial, de gênero e de classe. Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, além de romance, ela produz ensaios e poesias e já foi traduzida para diversos países.

Jarid Arraes

Jarid Arraes é escritora e cordelista natural de Juazeiro do Norte, região do Cariri Cearense.

Começou a publicar seus escritos aos 20 anos de idade, no blog Mulher Dialética. Logo passou a colaborar em blogs como o Blogueiras feministas e o Blogueiras Negras e em 2013 se tornou colunista da Revista Fórum, onde manteve o blog Questão de Gênero. Com forte presença na internet, ela sempre publicou seus escritos de forma independente como As Lendas de DandaraHeroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis.

Lançou na última Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) Redemoinho em dia quente, livro de contos focados nas mulheres do Cariri que misturam realismo, fantasia e crítica social. A obra foi uma das mais vendidas durante a Flip 2019.

Jarid também criou o Clube da Escrita Para Mulheres em São Paulo que realiza encontros periódicos com o objetivo de encorajar mulheres que escrevem ou desejavam começar a escrever. O Clube é um projeto gratuito que se expandiu em 2017 e se tornou um coletivo contando com a participação de outras integrantes e escritoras.

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