Mulheres Negras vão marchar em defesa de suas vidas e contra o racismo

Marcha acontecerá no próximo dia 18, dois dias antes do dia da Consciência Negra

Marcha acontecerá no próximo dia 18, dois dias antes do dia da Consciência Negra

Na próxima quarta-feira (18) dois dias antes da comemoração do dia da Consciência Negra, acontecerá em Brasília, pela primeira vez no Brasil a marcha das Mulheres Negras. O ato político vai reunir mulheres de todo o Brasil, trabalhadoras, camponesas, quilombolas, algumas organizadas em coletivos, movimentos negros, feministas, que vão manifestar o orgulho da sua cor e representar a voz das 54,9 milhões de brasileiras que se declararam pretas ou pardas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014).

A caminhada sairá do Estádio Nilson Nelson a partir das 9h da manhã e vai até a Explanada dos Ministérios. Vão acontecer atos culturais, rodas de conversas, shows e diversas atividades. Consulte a programação completa aqui .

Para a diretora de Mulheres da UNE, Bruna Rocha, é fundamental a organização da mulher negra, sujeito político mais potente e resistente e que passa pelas opressões mais profundas no Brasil.

“Esse momento de mobilização é muito significativo, acreditamos que já vimos de um ciclo de atividades muito bem sucedidos organizado por mulheres, como a Marcha das Margaridas que tinha grande protagonismo das mulheres negras também , a marcha do Empoderamento Crespo em Salvador, a marcha do Orgulho Crespo em São Paulo, e toda essa primavera das mulheres contra o PL5069”, afirma.

Para ela apesar do acirramento das pautas que retiram direitos das mulheres a conjuntura de mobilização tem sido muito positiva.

“Se nós mulheres conseguirmos dar o tom das lutas dessa primavera vamos abrir alas para um verão de muitas conquistas e sem dúvida alguma a marcha é um encerramento glorioso para este ciclo que acredito que será muito impactante e um novo marco para a organização das mulheres negras no Brasil”, afirmou ela.

Perfil das vítimas: dezoito anos de idade e negra

O Mapa da Violência 2015 – Homicídio de Mulheres no Brasil analisou dados oficiais nacionais, estaduais e municipais sobre óbitos femininos no Brasil entre 1980 e 2013. E o perfil das mulheres que morrem no país é amedrontador para as jovens negras.

Em relação aos dados totais da pesquisa, o estudo revela que entre os anos de 2003 e 2013 foram mortas 46.186 mulheres. Desse total, 25.637 eram negras, ou 55%. As mulheres brancas assassinadas no período foram 17,5 mil, ou 37% do total.

Enquanto o número de mortes de mulheres brancas caiu quase 10% entre 2003 e 2013 (de 1747 para 1576), os casos de mulheres negras saltaram mais de 54% no mesmo período, passando de 1864 para 2875.

Em 2013, no último ano levado em conta pelo estudo, o maior índice de mortes registrado foi entre mulheres de 18 anos: 3,6% dos 4.762 dos óbitos (168 mulheres). Além disso, os índices mostras que 31,2% dos homicídios aconteceram na rua e 27,1%, no domicílio.

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