Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

Mulheres nas ruas contra o fascismo e pelo direito de se aposentar

11/03/2019 às 19:07, por dne.


Yuri Salvador e Jana Maurer

Estudantes de todas as idades engrossaram a marcha na Av. Paulista em SP

O primeiro 8 de Março pós eleição do presidente Jair Bolsonaro em São Paulo nesta sexta-feira, foi marcado por um ato contra a sua política, contra a Reforma da Previdência, o corte de direitos e em memória da deputada Marielle Franco, assinada há um ano sem a prisão dos responsáveis.

Dessa vez, a mobilização atraiu muitos homens também. Entre as mulheres, todas as faixas etárias, perfis e diversidade estavam presentes no ato. Flavia Calé, presidenta da ANPG, falou sobre a necessidade dos estudantes lutarem contra a reforma da previdência e marcou fortemente oposição ao governo atual. ” Eles perseguem professores, estudantes, cientistas e a maioria do povo. Quando falamos em luta pela liberdade, contra os ataques desse governo, estamos dizendo em libertar mais da metade da população”, disse.

Nayara Souza, presidenta da UEE-SP, representando a UNE, fez uma fala calorosa, sobre permanência estudantil para as mulheres por meio das creches universitárias e lembrando a luta das estudantes de hoje em defesa do ensino público, das universidades como palco de resistência.

“Também aproveito para homenagear e lembrar as estudantes que resistiram por nós no passado, e foram perseguidas e mortas: Helenira e Dandara? Presente!”

Nayara também lembrou que o Ato do Dia das Mulheres abre a Jornada de Lutas, em defesa da democracia e contra a reforma da previdência.

Com você ando melhor

Nas universidades e escolas, os coletivos feministas ganham espaço. Eles trazem conscientização para as estudantes, debates e também funcionam como uma grande rede de apoio entre as mulheres.

Fundado há três anos, o Coletivo Leolinda Daltro é formado pelas estudantes de Direito Mackenzie. Beatriz Lima, 20, estudante do 4º semestre, conta que o Coletivo ganha cada vez mais espaço e que as calouras já procuram pelo grupo.

” Promovemos rodas de conversa, apoio, acolhemos denúncia e fiscalizamos o período de calouradas para que nenhum trote machista aconteça”.

Na Escola Caranda Viva Vida, estudantes do Ensino Médio fundaram o passado o Coletivo “Vivas”, com orientação e apoio de uma professora. São planejadas diversas atividades culturais e mobilizações pelo grupo.

” O ano passado participamos do grande ato do #Elenão e somos totalmente contra os discursos machistas”, diz Giovana Lo Prete, 17, que participava a primeira vez do ato do Dia das Mulheres.

A estudante de administração da FEA-USP, Júlia Kõpf, mostra que tem uma nova geração feminista e de esquerda se formando dentro de uma Faculdade sem lá muito essa tradição. “ Estamos muito preocupadas, mas também muito preparadas para a luta, não vamos desistir nem arredar o pé. Sei que a luta das mulheres também passa pela reforma da previdência”.

A futura administradora conta que na maior universidade do Brasil após inúmeros casos de desrespeito aos direitos humanos, estupros e assédio nos últimos ano as estudantes tem se organizado através dos Centros Acadêmicos, da diretoria de mulheres do DCE e coletivos que realizam ações e pressionam a instituição. “Estamos nos movimento com a Rede Não Cala, fizemos uma cartilha junto com docentes e temos realizado mobilizações”.

Já Paula de França, vem de um curso reconhecidamente feminista. Formada em obstetrícia pela USP-Leste, curso voltado para a área de parto humanizado e saúde da mulher, a graduação luta ainda por reconhecimento da sociedade e entrada no SUS. Junto com a irmã ela conta que veio para a marcha porque entende a necessidade das mulheres estarem juntas. “Dentro do curso eu como mulher negra vi como é importante as mulheres estarem ali [da universidade] dentro desse espaço, porque se tem uma mulher junta para a gente dar a mão é muito mais fácil” .

A obstetra conta que os desafios contra o machismo envolvem ainda um conflito geracional dentro de casa. “ Estava conversando com meu pai sobre a minha área e o meu pai queria saber mais sobre o meu curso do que eu que estudei 4 anos”.

Luiza Pereira, estudante de Relações Públicas da Anhembi Morumbi também afirma que sente diretamente um enfrentamento nos questionamentos com o pai. Ela estava na marcha com a amiga Gabrieli Figueiredo, estudante de Terapia Ocupacional da Unifesp, que contou que da mesma forma sente o machismo a afetar nas relações próximas como nos relacionamentos amorosos. “Da relação fazer eu me sentir menos porque sou mulher, menos inteligente, diminuída”.

E completou que pode ser um reflexo do machismo que vê no Brasil: “Estou muito descontente com a situação do país, com o nosso presidente, principalmente com a ministra que ele escolheu para as mulheres”, contou.

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo