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Estudantes fazem ‘balbúrdia’ com 300 mil em SP neste segundo dia de protestos

30/05/2019 às 22:42, por Cristiane Tada.

Largo da Batata na Zona Oeste da Capital refleto de manifestantes
Fotos: Yuri Salvador e Cuca da UNE

UNE contabiliza 2 milhões em atos durante todo o dia pelo Brasil e já convocou estudantes a continuarem a luta na greve geral no próximo dia 14 de Junho

O segundo grande protesto contra os cortes na educação do governo Bolsonaro deixou este 30 de maio marcado na história do movimento estudantil.

Durante todo o dia foram realizados atos em todos os Estados que contabilizaram 2 milhões nas ruas de todo o país. Em São Paulo, mais uma vez um dos atos mais expressivos, os manifestantes saíram do Largo da Batata na Zona Oeste e seguiu rumo à Av. Paulista.

A estimativa é de que quase 300 mil pessoas estiveram na marcha entre professores, estudantes, pais de alunos.

“Fizemos um protesto pacífico, mas muito radical. Somos milhões e vamos derrubar esse reinado do Brasil nas ruas indignados com o desrespeito do governo com a educação e com o povo. Os ‘idiotas’ vão mudar o Brasil”, afirmou a presidenta da UNE, Marianna Dias da capital paulista.

Ela também convidou os estudantes a construírem a greve geral no próximo dia 14 de junho e a continuarem fazendo “balbúrdia” para que o presidente da República não governe enquanto os cortes não forem revertidos.

“Vamos organizar as assembleias nas universidades para aprovar a greve geral no próximo dia 14 de junho, construída pela base da universidade e das escolas para continuar essa luta. Bolsonaro não vai ter paz”.

Chegada da marcha na Av. Paulista, principal via da cidade 

Tira a tesoura da mão e investe na educação

O estudante de Engenharia de Energia da UFABC, Alexandre Pires, estava no Largo da Batata junto com a mãe Núbia para protestar. “Eu acho inadmissível cortar uma área que é tão sensível e tão importante para o desenvolvimento do país”, afirmou.

Ele conta que na UFABC o fretado que transporta os estudantes entre um campus e outro vai ser afetado, e já tem diminuído a rota, bem como a pesquisa que quase não existe mais lá. “Eles tão cortando a iniciação científica e muita gente que continua fazendo pesquisa voluntária até”.

Pires afirma que assim com a maioria das instituições de ensino federais a UFABC já estava com a corda no pescoço no ano passado, quando o orçamento ameaçou só durar até o mês de setembro, e com muito esforço a instituição conseguiu equilibrar e finalizar o ano. “Mas agora com o corte de 30% estão todos muito preocupados”.

Núbia e o filho Alexandre, estudante de Engenharia de Energia da UFABC

Sua mãe Núbia é servidora pública aposentada. “Eu procuro estar sempre informada sobre a política e a questão da educação é muito importante e nos afeta diretamente. E tem também a Reforma né [da previdência], vai penalizar as pessoas mais necessitadas, acho muito importante movimento de rua, temos mesmo que vir para a rua protestar contra o que está errado”.

As professoras Ana Carolina Rodrigues e Adriana Marotti, estavam em um grupo de mulheres da FEA-USP.  Apesar de ser uma instituição estadual, a maior universidade do país e a que tem o maior orçamento também será afetada com a falta de dinheiro paras bolsas de pesquisa de acordo com Adriana.

Ela também ressaltou que a educação é uma pauta política que transcende a sociedade, nem de esquerda e nem de direita.

“A FEA inclusive aprovou uma moção de repúdio aos cortes, a Poli também, até as áreas tradicionalmente conservadoras da USP estão apoiando a pauta”, afirmou.

A colega Ana Carolina também defendeu que educação não está apenas em uma instituição, em um local. “Quando a gente pensa que as federais estão tendo a verba reduzida, mesmo que a USP não esteja nesse grupo diretamente enquanto instituição de ensino isso fere a USP e a sociedade. Essa não é uma briga só das federais, é da sociedade, inclusive de quem não está na universidade e precisa entrar”, destacou.

 

Grupo de professoras e estudantes da FEA-USP 

Como o grupo de adolescentes do Colégio Bandeirantes, instituição particular de ensino de classe média alta que estavam no protesto. Eles preferiram não se identificar, e apesar da pouca idade, todos de apenas 17 anos, deixaram uma mensagem consciente mostrando entendimento sobre democracia.   “Lutar pela educação não significa lutar só por você, é preciso ter empatia, lutar pelo coletivo”, e ainda “a gente não pode aceitar que só porque temos uma condição boa de estudo, outras pessoas não tenham, senão vai ser só mais um privilégio e não um direito”.

Também pensando no seu direito de cursar uma universidade pública estava a estudante Iasmim Cristina dos Santos junto com os colegas da Escola Eliza de Oliveira Ribeiro, de Itapevi, na Zona Oeste. Ela que terminou o ensino médio no ano passado vai agora tentar o Enem. “Estou defendendo a minhas chances no futuro, quero fazer ciências biológicas em alguma federal”.

Estudantes da Escola Eliza de Oliveira Ribeiro 

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