Estudante baleado é gota d’água na escalada de violência na USP

Estudantes querem construção de modelo alternativo de segurança (foto Prédio FFLCH no Campus da USP)

Estudantes querem construção de modelo alternativo de segurança

O estudante Alexandre Cardoso, do quarto ano de Letras, foi baleado na última terça-feira (01/09) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo após tentativa de assalto.

O barulho do tiro disparado pelos assaltantes foi ouvido por alunos que estavam dentro da sala de aula.

“Foi um susto e estamos todos aflitos. Confesso que tenho medo de andar pelo campus a noite desde que entrei na universidade e agora ainda mais”, afirmou a estudante Gabriela Ferro do DCE da USP.

O universitário foi socorrido pela Guarda e levado para o Hospital Universitário, onde passou por cirurgia e segue internado. Seu quadro de saúde é estável.

O DCE da USP e a UNE divulgaram nota em solidariedade a Alexandre.

O fato aconteceu dois meses depois de uma jovem ter sido estuprada, em junho, na região próxima à Praça do Relógio. A maior universidade do país tem passado por diversos problemas na segurança dentro da sua Cidade Universitária, na Zona Oeste da Capital.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo anunciou que o novo modelo de policiamento comunitário para o campus anunciado há alguns meses começa na próxima segunda-feira (7).

O novo projeto de segurança será executado por policiais que tem a mesma faixa etária e formação semelhante à dos estudantes.

Os estudantes exigem mais diálogo da reitoria com a comunidade acadêmica para que soluções alternativas sejam encaminhadas e tem criticado o novo modelo imposto pela Secretaria.

PM é ineficaz

“Neste momento cabe ao movimento estudantil como um todo discutir o assunto da segurança no campus. Somos contra esse novo modelo porque apesar do nome polícia comunitária é apenas uma ampliação da PM dentro do campus, só que agora com mais aparato”, afirmou a integrante do DCE.

Mesmo com a presença da Polícia Militar na Cidade Universitária, no Butantã a guarda da USP registrou aumento nos roubos e furtos após a entrada em vigor de convênio prevendo PMs no campus.

Para Gabriela é uma irresponsabilidade a reitoria manter a PM como encarregada da segurança sabendo que o policiamento não funciona.

“Falam que é por pura ideologia que somos contra a PM no campus, mas o que parece é uma disputa do governo. Mesmo sabendo que ela não funciona, eles não querem construir outra alternativa”, explicou.

Mulheres estudantes indicam o caminho

As mulheres estudantes, maiores vítimas da violência na Universidade tem se mobilizado. No último dia 24 de agosto estudantes e trabalhadoras da USP, percorreram a universidade denunciando e questionando a forma com que a reitoria tem lidado com a questão.

Elas acusam o reitor Marco Antonio Zago de se utilizar dos casos de estupro e violência contra as mulheres para justificar um aumento da militarização, repressão e controle da USP.

“Sabemos que essas ações, para além de não serem a saída, só servem para coibir ainda mais o movimento, mantendo uma lógica conservadora, machista e autoritária na USP, e ignorando o acúmulo histórico das mulheres sobre segurança”, afirmou nota do DCE.

A Faculdade de Medicina da USP lidera o ranking de violência e tem na conta dez casos de estupro em fase de investigação, dois já com réus respondendo a processos criminais.

As apurações avançaram depois de várias denúncias de estudantes que chegaram a ser hostilizadas por comissão de apuração da Universidade, até a Assembleia Legislativa de São Paulo abrir uma CPI para investigar os casos.

Coletivos femininos levaram até a reitoria algumas medidas bastante simples e essenciais para a segurança, como poda das árvores, melhor iluminação, aumento dos ônibus circulares para que não se espere tanto tempo no ponto e não tiveram resposta. “São reivindicações simples para prevenir casos de abusos e treinamento de funcionárias para atender mulheres. Porque nenhuma mulher pede ajuda a PM em caso de necessidade”, explicou Gabriela.

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