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Coalizão Negra por Direitos clama por justiça no Centro de São Paulo

05/12/2019 às 19:17, por Cristiane Tada.


Fotos: Elineudo Meira

Estudantes, integrantes de movimentos negro, sociais e parentes das vítimas não aceitam a versão da polícia de pisoteamento

Centenas de pessoas se reuniram no início da noite de quarta-feira (04/12) convocados pela Coalizão Negra por Direitos para protestar a chacina que tirou a vida de 9 jovens na faixa etária de 14 a 23 anos durante um baile funk na comunidade de Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo na madrugada do último domingo (1/12).

Muita indignação, lágrimas e dor ao lembrar dos jovens dizimados. No final do ato cantos de justiça e velas para os mortos.

Estudantes, integrantes de movimentos negro, sociais e parentes das vítimas presentes no ato não aceitam a versão da polícia de que as vítimas foram pisoteadas numa confusão e denunciam uma emboscada da PM que levou os jovens a morte devido a sufocamento por bombas.

“Assassinaram meu irmão de 16 anos, ele não foi pisoteado, foi assassinado. Estou aqui com a carteira de trabalho dele, ele não era bandido, era um menino trabalhador de 16 anos que só foi se divertir”, lamentou Fernanda Garcia, irmã de Dennys Guilherme, uma das vítimas.

Depois da mobilização intensa e a pressão de parentes das vítimas o governador João Dória afastou temporariamente seis PMs envolvidos na chacina e concordou em criar uma comissão externa para acompanhar as investigações. Participam o conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), OAB e representantes da sociedade civil.

“Vamos começar a acompanhar o caso. Somos advogados que vamos dar atendimento as famílias que perderam seus filhos e entes queridos.  Desculpem a minha emoção, mas é muito difícil como mãe e avó ouvir esses depoimentos”, falou emocionada Maria Silvia, presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB São Paulo.

Uma audiência pública nesta quinta-feira ia tratar sobre o caso na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Quantos mais tem que morrer para essa guerra acabar?

O ato denunciou uma política de segurança pública racista, reafirmou a responsabilidade do governador João Dória e a tentativa de criminalização do funk.

A representante da Uneafro, Elaine Mineiro denunciou:“a cidade de São Paulo gasta seu dinheiro para formar serial killer para matar preto na quebrada. É isso que o Estado brasileiro está fazendo e não podemos permitir. São nossos pais, nossos irmãos, nossos filhos na mão desse estado genocida”.

A diretora da UNE, Tayná Wine pediu a desmilitarização da polícia porque acredita que a corporação não tem preparo nenhum para lidar com a sociedade e nem com a juventude. “A polícia serve apenas aos interesses dessa burguesia branca contra o sistema capitalista que estrutura a desigualdade através da criminalização dos nossos corpos”, afirmou.

Já a deputada estadual Érika Malunguinho lembrou que o problema é ainda maior. “Não diz respeito aos policiais, mas a essa política genocida, aos operadores de direito. É sistêmico, não podemos pensar só na ponta”.

As falas também chamaram a atenção para o fato do governador João Dória tem sido eleito com 52% dos votos válidos em Paraisópolis.  “Dória é responsável pela morte desses nove jovens e esse currículo dele temos que disseminar para todos os pais e mães. Não podemos deixar cessar essas noves mortes para agora e a a longo plano vamos derrubar esse governo nas próximas eleições”, afirmou a parlamentar.

 

Rosana Barroso , diretora UBES concorda. “É muito importante este ato hoje. Estamos falando para o governo que nos tira educação e emprego que não vamos ficar calados. Que se o governo quer combater as drogas é com educação, saúde e emprego. Essa guerra as drogas são falsa, ela é uma justificativa para matar o povo preto”, destacou.

 

 

 

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