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Brasília recebe mais de 8 mil delegados de todo o Brasil para o 57º Conune

11/07/2019 às 0:04, por Cristiane Tada.

Representantes de universidades de todo o país que terão direito a voto e voz no fórum da UNE já estão na capital
Fotos: Gui Silva/ Cuca da UNE

Número de participação no fórum estudantil é recorde nos 83 anos da entidade; representantes vão eleger a nova diretoria e diretrizes da entidade até 2021

Chegou a hora! Representantes de universidades de Norte a Sul do Brasil começaram a chegar em Brasília para o 57º Conune, que começa nesta quarta e vai até domingo.

Este ano com a participação recorde de 8013 delegados eleitos em um processo eleitoral que durou meses.

A edição do maior fórum estudantil da América Latina também marca o recorde de eleições convocadas por Diretórios Centrais de Estudantes: foram 510 DCEs credenciados e mais de 3 mil eleições organizadas por comissões de 10.

Os delegados que aqui chegam contam um pouco das suas motivações de participar deste Conune. O impacto do corte de verbas em universidades periféricas, que já recebiam menos recursos do que as mais centrais, bem como a perseguição aos cursos de humanas e ao ensino superior público gratuito são alguns deles.

Jonathas Albert, estudante de história da Uninorte de Manaus está estreando no Conune e em Brasília, cidade que sempre quis conhecer. E o que ele mais quer aqui? “Quero trocar figurinhas e conhecer a galera, acho que será maravilhoso”.

Mas tem preocupação também. Albert afirma que a graduação de história está sendo marginalizada.

“Está sendo marginalizada a ciências humanas e a ciências no geral. Vão acabar com o historiador que está se transformando no vilão completo, como o professor de história que fala coisa errada.  A expectativa de estar aqui é tentar nos livrar dessa ameaça”.

Yasmin Carvalho, estudante de filosofia na UFAM, também está no primeiro Conune. Na mala ela trouxe a luta pela liberdade do ex-presidente Lula, os direitos iguais das mulheres e representação da região do Norte.

Ela quer ter uma boa atuação no fórum em nome da sua universidade e levar muitas resoluções para lá. Carvalho conta que a UFAM tem sentido demais os cortes “porque já não tínhamos tanto recurso”. E elenca: “o wi-fi, as tomadas dentro da universidade não estavam mais funcionando, os serviços dos banheiros que quem cuida é o pessoal terceirizado também não”.

Cheios de vontade a caravana em que o estudante Fabricio Sanches, de biologia na UFPEL veio demorou três dias de ônibus para chegar a capital federal.

Ele conta que veio somar na luta pelo ensino superior público de qualidade gratuito direito que já considerava adquirido, mas que viu que terão que defender no governo Bolsonaro. Ele afirma que o corte de 30% no orçamento atingiu a UFPEL em cheio e a reitoria já anunciou que a universidade pode fechar em Setembro e que talvez as aulas nem voltem do recesso no dia 12 de Agosto.

“Tivemos uma forte mobilização nos CAs da UFPEL, e a nossa cidade foi a ponta de lança dos atos já antes do dia 15 de Maio, justamente porque no nosso reitor foi um dos primeiros nacionalmente a declarar a possibilidade de fechar a instituição devido aos cortes”. E continua: “uma irresponsabilidade do governo Bolsonaro realizar esses cortes políticos, ideológicos, com propósito de atingir mesmo a educação superior que ainda é uma trincheira de batalha contra o conservadorismo no Brasil”.

Também do time dos debutantes no Conune, Leonardo Brito, estudante de Ciências Sociais da UFRR está com muitas expectativas.

“Espero que a gente consiga sair daqui com uma expansão dessa ideia de oposição do governo Bolsonaro para contagiar não só a galera, mas a sociedade como um todo”, afirmou.

Ele também afirma que a UFRR foi muito atingida com os cortes por ser no extremo Norte e já não receber tantos recursos. “O meu curso e todo o meu bloco da Ciências Humanas acaba sofrendo muito mais, por receber menos ainda. Ficamos bem defasados, principalmente com a evasão dos alunos. Já atrapalhou na realização da nossa Semana de Ciências Sociais que não conseguimos chamar todos os convidados que queríamos, vamos ter que tirar do próprio bolso para fazer a semana acontecer”.

Maila Lacerda,  estudante de direito na UFPB também debuta no Conune  e enfrentou dois dias e meio de viagem da Paraíba até o Distrito Federal esperando muita animação, discussão política e muita resistência.

“Esse é um momento que se abre uma janela histórica e a juventude tem mesmo que estar na linha de frente para rebater todos esses retrocessos que Bolsonaro tem colocado para a gente enfrentar”.

Ela lamenta que sua caravana chegou  em Brasília com a notícia que a UFPB vai parar por conta dos cortes. E afirma que por lá a  assistência estudantil já estava muito frágil, o RU já não estava funcionando adequadamente e vários projetos de pesquisa que pararam e se desarticularam.

Da Bahia, a estudante de pedagogia Dinauara Pataxó da UFRB, reforça a dupla responsabilidade de representar o povo indígena, os cotistas e o CA do seu curso. Na universidade dela o momento é de preocupação além da conjuntura nacional com a vaga da reitoria que passou por um processo eleitoral, mas ainda não tem um nome a ocupar. “Espero que neste congresso a gente consiga avançar enquanto movimento estudantil e como cidadãos porque o momento não está fácil”.

 

 

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