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“A reforma é uma proposta neoliberal que nasce do interesse dos bancos”

04/04/2019 às 15:37, por Cristiane Tada.


Fotos: Rebeca Belchior (Cuca da UNE)

Deputada Federal Jandira Feghali explica como a proposta de mudança na aposentadoria é injusta

Assunto principal no debate nacional, a Reforma da Previdência, proposta pelo governo é um tema sério que vai impactar a vida de todos os brasileiros. O presidente Jair Bolsonaro está pessoalmente engajado em obter apoio do parlamento para aprovação da proposta que está bem longe de um consenso entre nossos representantes. Para a UNE, assim como para as entidades sindicais e do movimento social, a mudança vai impossibilitar o direito a aposentadoria dos trabalhadores brasileiros. Para entender melhor o assunto, entrevistamos a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB -RJ) líder na minoria na Câmara dos Deputados.  Junto com Alessandro Molon (PSB-RJ) líder da Oposição, ela tem pautado legislativamente a luta contra a Reforma da Previdência. Entenda os porquês:

O governo Bolsonaro defende que a Reforma da Previdência é a principal chave para botar as contas do país em dia. Isso é verdade?

Não. Isso é uma desinformação para enganar a população e reforçar a narrativa dos banqueiros e grandes empresários. A reforma não resolve os problemas das contas públicas e, pelo contrário, arremessa a economia de diversas cidades – que dependem das aposentadorias – no buraco.

Essa reforma é ainda pior que a proposta de Temer? Por quê?

Você tem um BPC de R$ 400, (Beneficio de Prestação Continuada que tem direito idosos e deficientes em condições de miserabilidade] mesmo que seja garantido aos 60. Isso é um absurdo! Essa renda é, atualmente, de 1 salário. Reduzir esse valor é também atacar a renda de milhares de famílias mais pobres, que dependem desse dinheiro. A redução dos benefícios, através do cálculo de contribuições, também é maldosa. Nada se salva. Aliás, nenhuma reforma garante direitos dos trabalhadores, somente lucro para rentistas.

COMO a Reforma pode aumentar a pobreza no nosso país?

Reduzindo o valor dos benefícios de forma geral, impedindo milhões de brasileiros acessarem a aposentadoria, cortando as contribuições em troca de capitalização, reduzindo o BPC de 1 salário para R$ 400…

Essa Reforma prevê de alguma forma cortar privilégios?

A narrativa do privilégio é apenas marketing do Governo, que ainda tenta surfar numa onda de extrema-direita e antipolítica. Com a reforma de Bolsonaro, trabalhadores contribuirão centavos a menos, só que por mais anos. Onde está a justiça disso? E outra: mais de R$ 700 bilhões dos R$ 1,3 trilhão que o Governo que economizar com a reforma vêm de trabalhadores que ganham até dois salários. Trabalhadores que ganham R$ 2 mil são privilegiados? É claro que não.

Qual a alternativa justa para a Previdência?

Fortalecer a economia como um todo, aquecer o mercado de trabalho, gerar mão de obra com carteira assinada – que amplia as contribuições ao sistema. O Governo não tem projeto para isso, então apela para uma reforma injusta, maldosa, que rompe com o futuro de toda uma geração. Além disso, é preciso cobrar a gigantesca dívida da Seguridade Social e dar um fim à DRU.

Qual a sua perspectiva para barrar este projeto?

Nós estamos trabalhando arduamente para dar impedir o avanço da tramitação na Câmara. A nossa perspectiva é de conscientizar a população cada vez mais do mal que é a reforma. A UNE tem o dever de jogar um papel nesse processo, porque essa geração de estudantes pode não se aposentar. Isso é real! A reforma é uma proposta neoliberal que nasce do interesse dos bancos em abocanhar essa imensa fatia da nossa Seguridade Social – um modelo justo, solidário e originado no berço da Constituição cidadã de 88.

 

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