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A história que nos une

13/07/2019 às 18:56, por Renata Bars.


Ex-presidentes da UNE participam de ato político em homenagem aos 40 anos de reconstrução da entidade, se emocionam e emocionam o Conune

De que matéria é feita a história? O ato político em homenagem aos 40 anos de reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado na manhã deste sábado (13), no Ginásio Nilson Nelson em Brasília mostrou que a história é feita da matéria gente. Gente com sonhos, gente com vontade de mudar e muita disposição de luta.

Reunidos no 57º Conune, 15 ex-presidentes e dois ex vice-presidentes da UNE contaram a uma plateia jovem e atenta um pedacinho de suas histórias. Aos poucos, a trajetória de uma entidade de 81 anos foi remontada ali, no palco, tomando forma pelas falas de quem viveu e ainda vive o sentimento que nutre e move o movimento estudantil.

”Se estamos aqui hoje é porque somos herdeiros de cada um que já passou pela UNE. É por causa deles que essa entidade continua viva, pulsante e é por honrar a nossa história e a do Brasil que continuamos na luta”, falou a atual presidenta Marianna Dias.

A presidenta Marianna Dias
Foto: Guilherme Imbassahy/Cuca da UNE

Emocionado, o presidente mais velho da UNE presente no palco, Aldo Arantes ,falou sobre sua luta à frente da entidade no período da ilegalidade e a importância do momento.

”Todos nós, presidentes mais antigos ou mais novos, estamos aqui unidos para fortalecer e apoiar a continuidade na luta. Pra mim, não só do ponto de vista político, mas também do ponto de vista pessoal, do ponto de vista humano, eu fico extremamente honrado em ter participado e ainda carregar em mim o movimento estudantil”, disse.

Renildo Calheiros, atual deputado federal e presidente da UNE de 84 a 86 afirmou ser gratificante estar novamente em um Conune.

”A emoção de estar aqui não tem preço. Tenho orgulho de dizer que dediquei grande parte da minha vida a UNE, tenho orgulho de dizer que estive na campanha Diretas Já e tantos outros momentos fundamentais para a construção da nossa história. Saio daqui convencido de que a UNE continua forte e os estudantes cada vez mais combativos e dispostos a ocupar as ruas para não deixar mais uma vez uma ditadura se instalar nesse país”, destacou.

Ex-presidentes no 57º Congresso da UNE
Foto: Guilherme Imbassahy/Cuca da UNE

”Juventude querida do meu Brasil”

Em meio às falas do ex-presidentes, Marianna Dias leu uma carta de alguém que não presidiu a UNE, mas que foi fundamental para o movimento estudantil e a popularização da universidade: o ex-presidente Lula.

”Juventude querida do meu Brasil… Fiquei emocionado ao saber que centenas de milhares de estudantes tomaram as ruas do Brasil nas jornadas de maio, para defender o que construímos juntos e que este governo quer destruir”, diz a carta.

Ao final da leitura, os estudantes ecoaram gritos de ”Lula Livre” pelo auditório.

Foto: Guilherme Imbassahy/Cuca daUNE

UNE PLURAL

Cláudio Langone, presidente de 89 a 91, relembrou a importância da conquista da proporcionalidade na composição da diretoria da UNE, que hoje é representada por jovens de diversas correntes políticas no país.

”Essa proporcionalidade que acatamos em nossa época foi muito importante para a construção de forças progressistas. Naquela época a universidade ainda era branca e de classe média e atualmente a gente vê aqui nesse Congresso a tradução de grande conquistas realizadas: a UNE é plural e a universidade também: com os estudantes negros, quilombolas, indígenas, lgbts, do movimento cultural… Essa conquista nós vemos nos rostos de cada um aqui e nesse momento de ameaças à autonomia universitária temos que bradar bem alto que aqui tem unidade e como sempre ninguém solta a mão de ninguém”, enfatizou.

Ato em homenagem aos 40 anos de reconstrução da UNE
Foto: Matheus Alves/Cuca da UNE

Gisela Mendonça, presidenta de 86 a 87 destacou a presença das mulheres na entidade.

”A UNE foi a primeira entidade da sociedade civil e do movimento popular a ter uma mulher na presidência”, contou.

Lúcia Stumpf, presidenta de 2007 a 2009 também relembrou a participação feminina.

”Fui eleita nesse mesmo ginásio e fico muito feliz em ver que cada vez mais meninas e mulheres tem tomado a frente do movimento estudantil”, disse.

Orlando Silva, primeiro presidente negro da UNE também foi eleito neste mesmo local, em 1995.

”A UNE reúne futuro e tradição, como diz o hino escrito por Vinicius de Morais. E eu tenho certeza que esse Congresso vai caminhar para a unidade popular, que fortaleceremos cada vez mais a luta e que no segundo semestre o Bolsonaro verá o que é a balbúrdia nas ruas”, sentenciou.

Orlando Silva, primeiro presidente negro da UNE e Moara Correia sucessora de Helenira Rezende à frente da entidade

COMENDADORES

”Além de presidentes vocês são também agora comendadores e mais do que nunca estão marcados na história dessa entidade e das lutas pelos direitos do nosso povo brasileiro”, falou a atual presidenta.

Participaram do ato os ex-presidentes Aldo Arantes, Aldo Rebelo, Javier Alfaya, Renildo Calheiros, Claudio Langone, Gisela Mendonça, Lúcio Stumpf, Gustavo Petta, Orlando Silva, Vic Barros, Carina Vitral, Daniel Iliescu e Ricardo Capelli.

Os ex vice-presidentes Moara Saboia e Alon Feuerwerker também foram condecorados.

A mesa foi presidida pela presidenta Marianna Dias, pela vice-presidenta Jessy Dayane e pelo secretário geral Mario Magno. O fotógrafo Milton Guran, único a registrar o Congresso de reconstrução também esteve presente e foi condecorado.

Aldo Arantes recebe comenda Honestino Guimarães pelas mãos do sobrinho do ex-presidente assassinado pela ditadura
Foto: Matheus Alves/Cuca da UNE

 

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