20 MIL PROFESSORES DELIBERAM CONTINUIDADE DA GREVE NO PARANÁ

Estádio em Curitiba foi tomado pela categoria que consideraram insuficientes as respostas do governo tucano

Professores de todo o Paraná se reuniram em uma assembleia histórica na última quarta-feira (4/3) e decidiram manter a greve que começou no dia 9 de fevereiro.

O  encontro aconteceu no estádio da Vila Capanema, em Curitiba, e reuniu cerca de 20 mil pessoas.

“Além de considerarmos insuficientes as respostas que o governo do Estado deu aos nossos itens de pauta, também consideramos as conversas que tivemos, com o conjunto de diretores de escolas, e que nos apresentaram a incapacidade das unidades receberem os alunos neste momento”, enfatizou o presidente da APP – Sindicato, Hermes Leão.

A assembleia decidiu ainda um cronograma de eventos que inclui a participação no ato nacional em defesa dos direitos trabalhistas, pela democracia e pela Petrobras no dia 13 de março. (Leia aqui todas as deliberações que foram encaminhadas pelo Comando de greve e aprovadas pela assembleia).

Além dos milhares de educadores, a assembleia foi acompanhada por vários parlamentares, por outros sindicatos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a UNE, a UBES, a União Paranaense dos Estudantes (UPE) e a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES).

Assista o vídeo da CUT durante o encontro:

 ESTUDANTES NA LUTA

A greve começou com os professores e funcionários das escolas da rede estadual de ensino, mas se espalhou para outras categorias do funcionalismo público. Hoje, os professores e técnicos de todas universidades estaduais estão paralisados, não só pelo atraso dos salários, mas pela falta de condições de trabalho. É a primeira vez que todas instituições entram em greve simultaneamente.

Em entrevista ao site da UNE a presidenta da UPE, Elys Maryna, contou que nas universidades além de estarem sucateadas, não tem investimento em assistência estudantil. “Várias obras estão paralisadas há anos e o governo sequer repassou o custeio necessário para o funcionamento básico das universidades pro início do ano letivo de 2015, que ameaçaram fechar as portas pela falta de recursos. Enquanto os reitores apresentaram a necessidade de R$ 124 milhões o governo diz só ter condições de repassar R$ 9 milhões, ou seja, menos de 10%”, explicou.

Para presidenta da UPES, Camila Lanes, os professores não retornaram ainda ao trabalho porque o governo tem uma dívida com a educação paranaense, não só o ensino médio e fundamental, mas também com o ensino superior. “Estamos falando de uma dívida que chega a 250 milhões”, afirmou.

Umas das bandeiras que as entidades estudantis vão levantar durante a Jornada de Lutas da Juventude é a CPI do endividamento do Estado. O Paraná está entre as unidades federativas que mais arrecadou impostos nos últimos 4 anos e hoje o governador Beto Richa (PSDB) argumenta que não tem dinheiro para pagar os educadores, os agentes penitenciários, de saúde e universidades.

Com informações da APP-Sindicato

Foto: Gazeta do Povo

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