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CUCA DA UNE SE REINVENTA A CADA BIENAL

Em 2015, durante a 9ª Bienal da UNE, que acontece no Rio de Janeiro entre os dias 01 e 06 de fevereiro, o CUCA da UNE apaga 14 velinhas. Para quem ainda não conhece, CUCA significa Centro/Circuito Universitário de Cultura e Arte, embora integre não apenas estudantes, mas jovens do ensino médio, artistas, produtores culturais e uma diversa gama de entusiastas da cultura que encontram, aqui, o diálogo entre arte e política na sociedade.

O circuito surgiu com o desafio de potencializar, incentivar e articular a produção cultural desenvolvida pelos jovens artistas. Ao longo dos anos, a ideia foi amadurecendo e se transformando em um processo que se estende para além das universidades. Trata-se, hoje, de uma rede com núcleos em diversos estados e que promove ações em diversas linguagens como audiovisual, artes plásticas, literatura, teatro e música.

“O CUCA se coloca como um meio de circulação da produção cultural e artística dos estudantes, além de se debruçar sobre o debate das políticas culturais no Brasil. Também corresponde às características da cena cultural de cada estado ou universidade que ele está inserido, passando pelo circuito urbano de cultura e arte (MT), pela galera da cênicas (UnB), pelos pontos de cultura (Feevale – RS) e pelas ações culturais que conectam a UFF ao Morro do Palacio (RJ), por exemplo”, reitera Patricia de Matos, diretora de Cultura da UNE.

CUCA NA CUCA: O DESENROLAR DE 14 ANOS

O surgimento da Bienal, no início de 1999, tinha sido um grande avanço para a UNE no que diz respeito à retomada de políticas culturais para os estudantes. Mas, era necessário alçar novos caminhos. Era preciso firmar um projeto que desse continuidade a essa iniciativa cultural, promovida de dois em dois anos.

A ideia inicial de um circuito que gravitaria em torno de centros ou núcleos culturais nasceu das cabeças de Ana Cristina Petta – que já havia participado do movimento estudantil como diretora da UBES – e do ex-presidente da UEE-GO, Ernesto Valença. Os dois, que eram estudantes de Artes Cênicas da USP, juntaram-se a Luis Parras e Priscila Lolata, estudantes de Belas Artes da UFBA, e tiveram total apoio do então presidente da UNE, Wadson Ribeiro.

A proposta foi colocada no papel durante uma assembleia no último dia da 2ª Bienal, em 2001. Era um momento de amadurecimento sobre o movimento cultural da UNE. Esses estudantes de artes perceberam que, mais do que atividades regulares de dois em dois anos, era necessário criar algo permanente. Ao final desta atividade surgiu o primeiro núcleo do CUCA.

Os moldes eram semelhantes ao experimento da década de 1960, o importante CPC da UNE. Os artistas do CPC não só utilizavam as instalações do prédio da UNE, como também participavam, por meio da arte, ativamente das pautas políticas defendidas pela entidade. Então, logo após a 2ª Bienal, em maio do mesmo ano, foi realizado o 1º Seminário do CUCA, responsável pelo estabelecimento de uma coordenação geral do projeto. Surge o “Santa CUCA,” no Centro Acadêmico do curso de medicina da Faculdade Santa Casa, em São Paulo, onde eram realizados shows e pequenos eventos.

Em 2003, o CUCA fechou uma parceria com a prefeitura de São Paulo, instalando-se no teatro do Centro Educacional e Esportivo Raul Tabajara, no bairro da Barra Funda. O Espaço CUCA se tornou uma referência, abrigando grupos de teatro, rodas de samba e a primeira edição do EIA – Experiência Imersiva Ambiental, além de residentes fixos como Evo 60, Cia do Feijão, Cia do Latão e Cia São Jorge de Variedades.

O samba do CUCA, como ficou conhecido, residia o Inimigos do Batente e recebia semanalmente grupos como a velha guarda da Camisa Verde e Branco, tradicional agremiação da Barra Funda, e artistas renomados como Arlindo Cruz. O Espaço CUCA entrou até para a lista dos melhores locais da capital paulista, sendo destacado pela revista Playboy, em uma pesquisa realizada pela publicação, sobre as rodas mais bacanas para se divertir em São Paulo. Conta a lenda que muitos por lá viram também a bela Maria Fernanda Cândido se entregando aos prazeres da boa batucada.

Lá, os jovens artistas permaneceram até o ano de 2005 quando foram despejados pela mesma prefeitura, ironicamente a de José Serra, ex-presidente da entidade. Alguns movimentos de resistência foram realizados, mas o CUCA acabou perdendo a sua casa.

É importante ressaltar que neste ínterim o projeto foi ganhando corpo com a realização da Caravana Pascoal Carlos Magno, em 2004. Era uma espécie de reedição da UNE Volante, mas, desta vez, eram os artistas ligados ao CUCA que levavam cultura e arte para o imenso Brasil. Por isso, essa atividade possibilitou que estudantes de toda a parte do país conhecessem mais de perto a produção do circuito.

E assim como no CPC, começaram a surgir alguns embriões do CUCA, como o de Campina Grande (PB), Minas Gerais e Pernambuco. Essas atividades ganharam ainda mais estrutura quando o CUCA se tornou um ponto de cultura, em 2005. Em dez estados, a atuação do CUCA foi potencializada pelo Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura.

Durante o 6º Seminário do CUCA, realizado em agosto de 2006, no Rio de Janeiro, “cuqueiros”  de todo o país votaram um estatuto e formalizaram a criação do “Instituto CUCA da UNE”, garantindo mais autonomia administrativa, organizativa e de gestão. Uma das conquistas mais marcantes desta época, precisamente em 2007, foi a construção da tenda Centro Cultural Gianfrancesco Guarnieri, na sede da entidade, em São Paulo, em homenagem a um dos maiores artistas do Brasil e integrante do CPC. O local passou a abrigar um palco e um ateliê coletivo. Na inauguração do espaço, inclusive, a viúva do artista esteve presente, junto com outros familiares. Em 2011, ainda em pleno  funcionamento, o espaço CUCA promove rodas de samba e série de atividades em datas comemorativas.

Em 2008, o Instituto CUCA da UNE se tornou Pontão de Cultura. Seu projeto levou o nome de “Roda a Rede” e tinha como objetivo realizar atividades –oficinas e apresentações– nos pontos de cultura nas universidades.

“O que eu percebo é que o movimento estudantil ganhou uma parcela de jovens artistas que antes não estavam próximos da UNE, não se identificavam. O CUCA criou este espaço. O mais legal de tudo isso é que não foi uma experiência pontual, ela permaneceu. Quatorze anos depois de tudo que havíamos planejado, podemos identificar gerações de cuqueiros. Eu sou de uma geração, existem outras gerações como Filipe Redó, ex-coordenador do CUCA, e Patricia de Matos, atual diretora de cultura da UNE. São gerações diferentes, mas que ajudam a UNE a se formar e firmar culturalmente”, conta uma das fundadoras do CUCA, a atriz Ana Petta.

O circuito tem como planejamento manter as práticas que se formaram ao longo de sua existência, mas, também, realizar novas formas de cultura para que a diversidade da juventude brasileira seja abraçada como um todo. Ele se reinventa a cada Bienal da UNE, a cada nova possibilidade do fazer artístico. Os próprios mecanismos artísticos de hoje contribuem para isso, como o audiovisual, as artes visuais, o cinejornal, as artes plásticas e etc. O que o CUCA pretende é que esse caminho seja ainda mais explorado nos próximos 10, 20, 30 anos de existência.

 

Da Redação

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