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O ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Na última terça-feira (25/11) foi comemorado o dia de não violência contra as mulheres. Para reforçar e promover a discussão acerca do tema, o site da UNE traz um artigo escrito pela diretora de mulheres da entidade, Lays Gonçalves. Confira:

”25 de Novembro – O enfrentamento à violência contra as mulheres perpassa ao enfrentamento ao machismo e ao racismo na sociedade”

O machismo ainda é fator estruturante da nossa sociedade. A divisão sexual do trabalho coloca as mulheres como únicas responsáveis pelo trabalho reprodutivo e da vida doméstica, enquanto os homens valorizados dentro trabalho produtivo e da vida pública. Essa construção social naturaliza a opressão das mulheres, que além de não possuírem autonomia econômica, sobre sua vida e seus corpos, são coisificadas e tratadas como mercadoria. A violência sexista é mais uma das expressões do machismo.

Tivemos no Brasil a conquista da aprovação da Lei Maria da Penha em 2006, que versa sobre a violência doméstica. Lei das domésticas. Avanço sobre o Ligue 180. Posição da SPM em relação à Julie Blanc, instrutor misógino que viria ao Brasil em Janeiro. Mas no último período vimos que nas ações do Poder Público, nos meios de comunicação, no sistema político, nas relações dentro da universidade, a perspectiva feminista deve ser de fato incorporada e haver políticas de enfrentamento à violência sexista.

No último período, em vários estados, houve enfrentamento intenso às medidas que o Estado tem tido sobre a violência sexual contra as mulheres em espaço público: ônibus e vagões rosa, PL do Estatuto do Nascituro, PL da “Cura gay”. De fato, o machismo é estruturante para todos os espaços e a culpabilização das mulheres ainda é o cerne para pensar o enfrentamento à violência, ora por estar no espaço público, por sua sexualidade, por usar algum tipo de vestimenta ou ter determinada postura, a violência é justificada.

Na mídia a mini-série da maior empresa televisiva que, a partir do patriarcado e do racismo, coloca as mulheres negras como aquelas de pré-disposição ao sexo, heterossexuais, hiperssexualizadas, como se suas vidas e seus corpos fossem dedicados apenas ao sexo, contribui para a manutenção do machismo, racismo e lesbofobia.

O caso da Medicina na USP de meninas que foram estupradas em espaços de festa e recepção de estudantes, o qual representou tantos outros casos em calouradas, trotes, eventos de curso, esportivos, em que é naturalizada a coisificação do corpo das estudantes de tal forma a justificar a misoginia e a cultura do estupro dentro das universidades.

Neste dia, trazemos à memória a luta feminista por igualdade e pela vida das mulheres!

Reavivamos e revigoramos nossas forças na luta por garantia de direitos e por um movimento estudantil ativo e interventivo, de um Estado que seja despatriarcalizado e de fato incorpore nossa demanda de romper com a situação de invisibilidade das mulheres, da violência, da cultura do estupro e não culpabilização das mulheres!

A UNE repudia toda e qualquer forma de violência contra as mulheres dentro e fora das universidades, e reforça a importância de espaços auto-organizados, de debate e empoderamento das mulheres. Convocamos todas as mulheres estudantes a se organizar em núcleos e coletivos auto-organizados em suas faculdades. Estaremos em luta até que todas tenham suas vidas e seus corpos livres de todas as amarras que as oprimem!

Lays Gonçalves é diretora de mulheres da UNE  e estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

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