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CULTURA DENTRO DO BOLSO – ESPECIAL EDUARDO COUTINHO

Esta semana começou mais triste com a notícia do falecimento do cineasta Eduardo Coutinho. Coutinho integrou Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, o CPC da UNE, que nos anos 60 representou o que de melhor foi produzido artisticamente no país. Foi lá que cineasta paulista iniciou o seu trabalho mais importante: a ficção baseada em fatos reais Cabra Marcado para Morrer, um trabalho de história, jornalismo que partia do assassinato do líder da Liga Camponesa de Sapé (PB), João Pedro Teixeira. As filmagens foram interrompidas pelo Golpe Militar de 1964, com parte da equipe presa sob alegação de comunismo, e retomadas quase 20 anos depois. Em entrevista Coutinho declarou: “minha vida parou com o filme. Esse é o fantasma. Como parou a vida dos camponeses”. A coluna de hoje rememora a vasta filmografia do documentarista que queria saber sobre o estado do mundo ouvindo as pessoas. Valeu Coutinho! Para a UNE você é eterno!

CABRA MARCADO PARA MORRER (1984)

Início da década de 60. Um líder camponês, João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste. As filmagens de sua vida, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. Dezessete anos depois, o diretor retoma o projeto e procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos, espalhados pela onda de repressão que seguiu ao episódio do assassinato. O tema principal do filme passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar.

 

O FIO DA MEMÓRIA (1991)

Mosaico sobre a experiência negra no Brasil a partir da figura de Gabriel Joaquim dos Santos, trabalhador de uma mina de sal e artista popular semianalfabeto.

 

BOCA DO LIXO (1993)

O cenário, à primeira vista, pode chocar: um ponto de escoamento de lixo em São Gonçalo, município do Rio de Janeiro. Seringas usadas, comida em estado de decomposição, um estado de miséria absoluta. Pessoas selecionam objetos e comida que possam ser reaproveitados; o que foi rejeitado por uma pessoa serve como fator de sobrevivência para esta. O cenário desalentador não exprime o estado de espírito dos catadores.

 SANTO FORTE (1999)

Entre uma missa campal celebrada pelo Papa no Aterro do Flamengo e, meses depois, a comemoração do Natal, o documentário penetra na intimidade dos católicos, umbandistas e evangélicos de uma favela carioca. Cada um a seu modo, eles crêem na comunicação direta com o sobrenatural através da intervenção de santos, orixás, guias ou do Espírito Santo.

 Babilônia 2000 (2000)

Na manhã do último dia de 1999, uma equipe de filmagens sobe o Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro. Lá existem duas favelas, Chapéu Mangueira e Babilônia, as únicas situadas na orla de Copacabana e cujos moradores podem acompanhar ao vivo o reveillon de Copacabana. Durante 12 horas, as câmeras da equipe de filmagens acompanham os preparativos locais para o reveillon, assim como ouve os moradores locais a fim de saber as expectativas deles para o ano 2000 e para que possam fazer um balanço de suas vidas.

 EDIFÍCIO MASTER (2002)

O cotidiano dos moradores do Edifício Master, situado em Copacabana, a um quarteirão da praia. O prédio tem 12 andares e 23 apartamentos por andar. Ao todo são 276 conjugados, onde moram cerca de 500 pessoas. Eduardo Coutinho e sua equipe entrevistaram 37 moradores e conseguiram extrair histórias íntimas e reveladoras de suas vidas.

 PEÕES (2004)

A história pessoal de trabalhadores da indústria metalúrgica do ABC paulista que tomaram parte no movimento grevista de 1979 e 1980, mas permaneceram em relativo anonimato. Eles falam de suas origens, de sua participação no movimento e dos caminhos que suas vidas trilharam desde então. Exibem souvenirs das greves, recordam os sofrimentos e recompensas do trabalho nas fábricas, comentam o efeito da militância política no âmbito familiar, dão sua visão pessoal de Lula e dos rumos do país.

 O FIM, O PRINCÍPIO E MEIO (2005)

Sem pesquisa prévia, sem personagens, locações nem temas definidos, uma equipe de cinema chega ao sertão da Paraíba em busca de pessoas que tenham histórias para contar. No município de São João do Rio do Peixe a equipe descobre o Sítio Araçás, uma comunidade rural onde vivem 86 famílias, a maioria ligada por laços de parentesco. Graças à mediação de uma jovem de Araçás, os moradores – na maioria idosos – contam sua vida, marcada pelo catolicismo popular, pela hierarquia, pelo senso de família e de honra.

 JOGO DE CENA (2007)

Atendendo a um anúncio de jornal, dezenas de mulheres contaram suas histórias de vida ao cineasta Eduardo Coutinho em um teatro do Rio de Janeiro. Depois, atrizes interpretaram, ao seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas.

 MOSCOU (2009)

Retrata os ensaios da peça “As Três Irmãs”, de Tchekhov, pelo grupo Galpão. O filme é composto por fragmentos de workshops, improvisações e ensaios.

 Cristiane Tada 

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