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ESTUDANTES PAULISTAS CONTRA O AUTORITARISMO

Estudantes das duas principais universidades do Brasil, Universidade de São Paulo (USP) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), reuniram-se em uma manifestação nesta quarta-feira (09/10), com início no vão livre do MASP. A passeata  tomou a Avenida Paulista, uma das principais vias da capital paulista, e caminhou em direção à Assembleia Legislativa do Estado. Com apoio da UNE e UEE-SP, estudantes da Unesp e FATEC também engrossavam o coro do protesto organizado para pedir mais democracia nas universidades do Estado.

USP e Unicamp tem vivido situações parecidas neste ano: alunos ocupam a reitoria de ambas as instituições para serem ouvidos. “As pautas hoje das estaduais paulistas são comuns, a luta é por democracia. A USP começou pedindo diretas, a Unicamp contra a PM no campus, e a FATEC por mais participação dos estudantes. O ato de hoje dos estudantes foi muito vitorioso e só fortaleceu os estudantes”, ressaltou a presidenta da União Estadual dos Estudantes (UEE-SP), Carina Vitral, que esteve presente na passeata.

Em Campinas, a reintegração de posse da reitoria já foi dada pela Justiça, mas alunos e direção estão em negociação segundo a coordenadora do DCE e diretora da UEE-SP, Diana Nascimento. Cerca de 400 alunos ocupam a reitoria desde o dia 3/10 contra a presença da Polícia na universidade. Os alunos querem uma declaração pública da instituição que garanta que a PM não terá poder no campus. “Estamos em sintonia com a USP contra as reitorias autoritárias. Além da ocupação estão ocorrendo assembleias para decidir sobre a greve estudantil”, afirmou ela.

Até agora já são 12 cursos paralisados e 4 em greve. Nesta quinta, na Unicamp, haverá assembleia geral dos estudantes e uma reunião com a reitoria.

Juiz nega reintegração de posse na USP

Já na USP as manifestações ocorrem às vésperas do encerramento do prazo de inscrição para candidatura de reitor – até dia 14/10. A “eleição” para composição da lista tríplice para a escolha do reitor e do vice-reitor de uma das principais universidades do Brasil será realizada no dia 19 de dezembro. O fim da lista tríplice é a principal reivindicação dos estudantes, junto com eleições diretas e paritárias para reitor. Por meio da indicação da lista tríplice, os estudantes não participam do processo de escolha e a decisão final é do governador de São Paulo, Geraldo Alckmim.

Com a reitoria ocupada desde o dia 01/10, cerca de 300 alunos se revezam no acampamento. O coordenador do DCE livre da USP e diretor da UNE, Thiago Aguiar, destacou a negativa da reintegração de posse da reitoria da USP. “O juiz disse na sua decisão que se o reitor não se dispôs a dialogar com os estudantes ele não iria autorizar o uso de força policial”, explicou (leia aqui na íntegra a decisão do Juiz).

Para a presidenta da UEE-SP, a quinta-feira foi histórica. “O Estado reconheceu a ocupação como instrumento legítimo de manifestação política, isso é um marco para a democracia paulista. Agora só resta aos reitores dialogar com os estudantes”, afirmou.

A USP também realiza uma assembleia geral de estudantes nesta quinta para decidir os próximos passos do movimento.

O ato foi pacífico e terminou em frente à Alesp. Os estudantes gritaram palavras de ordem, pediram também a saída do atual reitor da USP, João Grandino Rodas, do governador do estado, Geraldo Alckmin, e declararam total apoio aos professores grevistas da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro.

Cristiane Tada

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