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SITE DA UNE ACOMPANHA TERCEIRO DIA DE PROTESTOS EM SÃO PAULO

Jovens de todas as tribos, de todas as bandeiras, unidos num grito só ”Vem pra rua vem, contra o aumento vem”. Uma multidão de aproximadamente 10 mil pessoas se reuniu ontem (11/6) na Praça do Ciclista no fim da Avenida Paulista, coração da cidade, para o terceiro dia de manifestação contra o aumento da tarifa do transporte municipal de R$3 para R$3,20. Este foi o maior e mais reprimido protesto organizado pelo Movimento Passe Livre, entidades estudantis, juventudes partidárias e reuniu ainda muitos jovens motivados pelas redes sociais. O site da UNE  acompanhou.

A passeata saiu e desceu a Rua da Consolação na região central da capital paulista e seguindo rumo ao Parque Dom Pedro II. Nem a chuva forte dissipou a multidão que gritava unida “Mãos ao alto, 3,20 é um assalto”. A estudante da Escola Estadual Moacyr Campos, Bianca Linhan, 17 anos, segurava uma bandeira da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) debaixo da chuva. Para ela o aumento representa um abuso. “A gente tem que pegar ônibus para fazer qualquer rolê e esse preço é um absurdo”, afirmou.

“Estamos aqui para somar ao protesto, pacificamente, para lutar principalmente pela qualidade do transporte”, destacou presidente da UBES, Manuela Braga.

Gente jovem reunida

Depois de tentar entrar na Avenida 23 de maio, uma das principais vias da cidade a passeata desviou pela Avenida Liberdade, passou ao lado da Praça da Sé e parou em frente ao Parque Dom Pedro II. Policiais da tropa de choque armados de escudos e cacetetes impediu a entrada dos manifestantes formando um cordão.

Lucas Teodoro, 17 anos, estudante do Senai disse que viu o movimento no Facebook e veio com os amigos. “Não é só pela tarifa, é o abuso. Colocar o preço que eles decidem sem pensar no povo”, ressaltou.

A multidão desceu para o terminal Parque Dom Pedro II e impedida de entrar ficou aglomerada ali em frente. Em sua maioria eram adolescentes muito jovens uma média 17 anos, casais, grupinhos, de tênis e um cartaz na mão. Só queriam dizer que não concordam com o aumento.

O protesto seguia pacífico, os estudantes continuavam firmes, porém tranquilos até esse momento. Parados em frente às grades do terminal alguns deles tentaram forçar a entrada. A polícia reagiu com força, truculência e violência. Explosões, bombas, empurra-empurra, fogo, correria e gente sendo arrastada.

A reportagem da UNE se abrigou em um bar bem em frente ao terminal onde muita gente já se abrigava. Uma bomba de gás lacrimogêneo foi lançada na porta e a fumaça tomou conta do local. Vários meninas e meninos passaram mal desnorteados no meio da fumaça, inclusive a reportagem da UNE.

Desdobramentos

Hoje, o Ministério Público de São Paulo realizou uma reunião aberta para discutir o preço da tarifa com representantes das secretarias estadual e municipal de transportes.

Para a presidente da UNE, Vic Barros, que participou do segundo dia do protesto, mas ontem não estava em São Paulo, uma passeata com mais de 10 mil estudantes comprometidos com o transporte público não pode ser desqualificada por 50 que em ações isoladas cometeram vandalismo. “Somos contra a elevação da tarifa e a violência policial sempre desproporcional aos atos”, afirmou.

O Movimento Passe Livre já marcou uma nova manifestação para esta quinta-feira (13/6) às 17 horas em frente ao Teatro Municipal no Anhangabaú. Será a quarta manifestação em menos de 10 dias.

A primeira passeata ocorreu na quinta-feira (06/6) e fechou Avenida 23 de Maio, a Paulista e a 9 de Julho. No dia seguinte (07/6), os manifestantes fecharam a Marginal Pinheiros. A polícia reprimiu com violência todos os dias de protesto.

 Cristiane Tada

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