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COMISSÃO DA VERDADE DA UNE REESCREVE A HISTÓRIA DE HONESTINO NO 53º CONUNE

Confrontar a história contada pelo governo militar e resgatar a realidade dos fatos. Reconstituir trajetórias individuais e de resistência do movimento estudantil na biografia do país. Foi com esses objetivos que a Comissão da Verdade da UNE foi instalada em janeiro deste ano, durante o 14º Conselho Nacional de Entidades de Base, o Coneb, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em Recife. Na equipe estão pesquisadores, historiadores, estudantes e Paulo Vanucchi, ex-ministro dos Direitos Humanos e integrante da Comissão Nacional da Verdade. O grupo tem se reunido periodicamente para escarafunchar textos, relatos, notícias e jornais sobre os estudantes perseguidos durante a ditadura. Durante o 53º Congresso da UNE, que acontece entre 29 de maio a 2 de junho em Goiânia, a Comissão da Verdade da UNE apresentará seu relatório inicial de trabalho.

O documento vai elucidar as circunstâncias de desaparecimento e morte do seu primeiro investigado: o líder estudantil goiano Honestino Guimarães. A UNE quer saber onde estão os restos mortais do estudante preso pela CENIMAR (Centro de Informações da Marinha), em 10 de outubro de 1973, não encontrado até hoje. Segundo a coordenadora técnica da Comissão, Raisa Marques, a equipe agora avança sobre a pesquisa que a família Guimarães já tem. “Convidamos a família de Honestino e Comissão de Anistia para participar da entrega desse documento inicial e para dar início ao processo de Anistia dele em ato durante o 53º Conune”, afirmou.

A apresentação desse primeiro resultado em Goiânia é muito significativa para a UNE. Além de ser o estado natal de Honestino, no início de abril a Comissão da UNE realizou uma reunião de trabalho na Universidade Federal de Goiás (UFG). Participaram alunos, professores, historiadores e pesquisadores das instituições de ensino mais importantes do estado. A quantidade de estudiosos do assunto em Goiânia facilitou a formação do primeiro grupo de apoio da Comissão da UNE. “Queremos fazer reuniões em outros lugares do país, aglomerar alunos que pesquisam o período, e abrir novos grupos que colaborem com a nossa Comissão”, explicou Raisa.

O ato será no dia 31/05 (sexta-feira) das 16:00 às 19:00 diante da Praça Universitária Honestino Guimarães. Os estudantes vão ouvir o pedido de desculpas oficial do Estado à família do ex-presidente da UNE perseguido, torturado e morto pela ditadura militar. A UNE passa a limpo a história de Honestino 40 anos depois, para que nunca se esqueça e para que nunca mais aconteça.

Um ano de luta pela Verdade

A Comissão Nacional da Verdade completa um ano agora em maio. No seu enfrentamento com a história da Ditadura Militar no Brasil contada em documentos deturpados e adulterados destaca-se as revelações sobre o assassinato do ex-deputado federal Rubens Paiva por agentes do regime; a comprovação por meio de documentos sobre práticas de tortura como política de Estado; o novo atestado de óbito entregue a família de Vladimir Herzog que declara sua morte sob tortura; e o pedido de exumação do corpo do ex-presidente João Goulart, morto em 6 de dezembro de 1976 em Mercedes, na Argentina de ataque cardíaco segundo a história oficial. Após os trabalhos da CNV também outras Comissões como a da UNE, e da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) tem se formando no país. Possuem Comissões próprias a Assembleia Legislativa de São Paulo “Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva”, a Universidade de Brasília (UnB), e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Depois da Verdade

A Comissão da Verdade da UNE em sua próxima fase pretende trabalhar mais junto a CNV e aproveitar o seu aporte metodológico e principalmente da sua possibilidade acesso a documentos e informações que ajudem no esclarecimento do desaparecimento de outros estudantes e líderes estudantis. “A CNV ainda não colocou no seu foco nenhum dos inúmeros estudantes perseguidos”, afirmou Raisa.

 Cristiane Tada 

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