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PM AGRIDE ESTUDANTE DENTRO DA USP E AÇÃO É GRAVADA EM VÍDEO

“Você é estudante daqui? Cadê sua carteirinha?”, perguntou o sargento da Polícia Militar André Luiz Ferreira ao estudante Nicolas Menezes Barreto, que ocupava um centro de vivência no antigo prédio do Diretório Central Estudantil (DCE) na Universidade de São Paulo (USP). Após o questionamento, o policial foi até o rapaz e o puxou com força, sacou a arma e a guardou em seguida. O estudante foi levado, então, para a frente do prédio, onde recebeu tapas e empurrões do PM.

As cenas lamentáveis foram registradas por uma aluna que testemunhou a agressão na Cidade Universitária, na região do Butantã, nesta segunda-feira (9). O ato de agressão aconteceu durante o fechamento do espaço estudantil que começou a ser lacrado pela reitoria na última sexta-feira (6), sem nenhum tipo de mandado judicial.

Durante os registros, Nicolas mostrou sua carteirinha de estudante à câmera, como prova oficial de que foi agredido sem justificativa. Vale ressaltar que a PM afastou ainda na segunda-feira os policiais militares envolvidos na agressão contra o estudante.

Para Daniel Iliescu, presidente da UNE, esses últimos acontecimentos na USP,  desde o pôr do sol de 27 de outubro, fere o princípio da autonomia universitária e compromete a liberdade histórica garantida aos estudantes para se organizarem e defenderem seus princípios.

“Esses acontecimentos na USP inquietam o movimento estudantil e a sociedade que tanto lutou pela democracia no país, e em especial dentro das universidades. As cenas vistas são de uma violência injustificável, reflexo de um projeto autoritário partilhado pela atual gestão, comandada pelo reitor Rodas, e pelas políticas educacionais projetadas por São Paulo nos últimos anos. Defendemos que a USP se debruce em um amplo debate com toda a sociedade para fomentar a concepção do que vem a ser universidade, espaço público, educação e democracia”, avaliou Iliescu.

O presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Alexandre “Cherno” Silva, avalia que o convênio PM-USP deve ser revogado e um novo projeto deve percorrer por uma USP mais aberta à sociedade, com mais iluminação, ocupação criativa dos espaços e transporte acessível. ” Sofremos  com uma PM atrasada. O uso da força e da truculência não é a melhor forma de agir frente ao debate que se criou com a decisão autoritária e imediatista da atual gestão da USP, que inclusive lacrou o espaço que pertence ao DCE sem nenhum mandado judicial”

Quem é o jovem agredido?

Nícolas é aluno de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP Leste, e era o único estudante negro de um grupo de alunos presentes no centro de vivência. Em entrevista à Carta Capital, Nicolas afirmou que o racismo estava implícito na ação: “Eu era o único cara mais escuro, que passava das 18 horas, vamos dizer assim. Todo mundo estava conversando com ele, mas fui eu quem estava agredido. Isso [o racismo] estava implícito”, diz. Uma aluna que presenciou a cena poucas horas antes também disse considerar a ação “uma atitude clara de racismo”.

Em outra entrevista, concedida ao blog Outro Brasil, Menezes disse que o policial estava “virado no capeta” e que entende que o policial tem de pagar as contas. Ele é professor da rede municipal de ensino e músico. Em seu perfil no Facebook, ele indica a página de sua banda Brs na rede MySpace. Amigos apontam que Menezes é um dos 73 presos na desocupação da reitoria em novembro de 2011.

O espaço

O local onde aconteceu todo este ocorrido foi ocupado pelos estudantes em 2009, logo após a notícia de que a universidade passaria a ser gerido pela nova gestão, aos comandos de João Grandino Rodas. Lá, os estudantes costumam realizar reuniões e festas.

O prédio fica bem próximo da reitoria e ao lado do MAC (Museu de Arte Contemporânea). O edifício seria reformado para abrigar a farmácia universitária e a editora da universidade de São Paulo, mas a obra não foi realizada.

Assista aos vídeos

Da Redação

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