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Estudantes da USP ocupam reitoria e querem PM fora do campus

Reforçando a reivindicação contra a presença da Polícia Militar no campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), um grupo de estudantes ocupou, na madrugada desta quarta-feira (2), o prédio da reitoria da Cidade Universitária. A ação faz parte de uma série de manifestações promovidas por alunos da universidade desde o último dia 27, quinta-feira passada.

Leia aqui a matériasobre a ocupação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas)divulgada pelo site da UNE.

A reitoria foi ocupada depois de uma assembleia de estudantes, na noite de terça-feira (1), que decidiu pela desocupação do prédio da FFLCH. Insatisfeito com o resultado dessa votação, um grupo saiu do prédio da faculdade e se dirigiu à reitoria. Em contrapartida, os estudantes que estão na administração da FFLCH prometeram sair do prédio até o final do dia.

“O DCE-Livre da USP compreende que o impasse colocado hoje na universidade é uma resposta à falta de diálogo do reitor João Grandino Rodas que optou por militarizar os campi de maneira impositiva, sem aferir a opinião da comunidade universitária”, informou o DCE da universidade, em nota divulgada esclarecendo os rumos da última assembleia geral. Eles ainda reiteram: “Infelizmente, um setor minoritário do movimento, derrotado nesta votação, agiu de forma antidemocrática ao ocupar a reitoria, deslegitimando o debate feito no fórum de assembleia. É necessário que haja unidade do movimento estudantil, para combatermos o projeto privatizante e excludente realizado pelo governo estadual e pela reitoria”.

Os estudantes , em geral, questionam o papel repressor assumido pela corporação dentro do campus, além da política de criminalização adotada pelo reitor João Grandino Rodas contra militantes, estudantes e trabalhadores, que se posicionam politicamente contrários à sua gestão.

O assunto é polêmico e divide os alunos. Nesta última terça-feira, outro grupo de estudantes da USP fez uma manifestação convocada por meio das redes sociais, para apoiar a presença da polícia na segurança da Cidade Universitária. A manifestação ocorreu na Praça do Relógio e reuniu cerca de 200 alunos.

O que ocorreu na última assembleia

Na noite de terça, uma assembleia de cinco horas de duração no vão do prédio da História decidiu, por 559 votos contra 458, pelo fim da ocupação do edifício da diretoria da FFLCH.

A reunião deveria continuar com a votação dos “eixos políticos” do movimento, que pede a proibição da entrada da PM na Cidade Universitária. Também seria discutida uma agenda de protestos contra o reitor João Grandino Rodas. O primeiro ato seria realizado no dia 8 de novembro, quando haverá reunião do Conselho Universitário (C.O.), instância máxima de decisão da USP.

Mas os alunos que haviam sido derrotados na votação sobre a ação na FFLCH propuseram a discussão sobre a ocupação da reitoria.

Após duas votações sem maioria expressiva, o comando da assembleia, formado por um diretor do DCE e uma representante do Centro Acadêmico da Letras, resolveu encerrar os trabalhos. Já passava de 23h30 e uma das primeiras deliberações da assembleia, por volta das 19h, era de que a reunião terminaria às 22h.

Com isso, a maioria dos alunos que queria discutir os “eixos políticos” e o calendário de atividades se retirou. Mas, logo em seguida, um outro grupo de estudantes assumiu o comando da assembleia e começou nova reunião. Em nova votação, venceu a proposta de discutir a ocupação da reitoria. Na derradeira votação, a maioria aprovou a ocupação do prédio da administração central.

Este grupo divulgou uma nota esclarecendo a ocupação. Leia abaixo:

NOTA SOBRE A OCUPAÇÃO DA REITORIA DA USP 01/11/2011

Na noite da última terça-feira, dia 01/11, a assembleia geral dos estudantes da USP deliberou por ampla maioria ocupar o prédio da reitoria da universidade. Esta ocupação é uma continuidade da ocupação da administração da FFLCH, que será desocupada conforme deliberado no início da assembleia.

Entendemos que nossa luta está ligada com algo que ocorre em toda a universidade. Por isso, exigimos que o reitor João Grandino Rodas se pronuncie e atenda às nossas reivindicações.

Continuaremos a luta contra a repressão e mantemos, portanto, os eixos centrais do movimento:

– Revogação do convênio PM-USP! Fora PM!

– Revogação de todos os processos contra estudantes, professores e funcionários!

Esclarecimento: Durante a votação da segunda proposta da assembleia, a presidência da mesa declarou que o fórum estava encerrado sem consultar o plenário e abandonou a mesa mesmo com o pedido de continuidade por parte dos estudantes. Porém, a assembleia não se dissolveu. Centenas de estudantes continuaram a assembleia e elegeram uma nova presidência da mesa que encaminhou as demais propostas que haviam sido feitas, como a ocupação da reitoria.

O contraponto

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade também soltou uma nota oficial sobre a última assembleia geral. Leia aqui

USP vai pedir reintegração de posse do prédio da reitoria

A reitoria da USP vai pedir na Justiça, nesta quinta-feira, a reintegração de posse do prédio da administração central da universidade. Segundo nota da Assessoria de Imprensa da USP, a decisão foi tomada esta última noite, em reunião extraordinária da comissão permanente de negociação. Fazem parte da comissão o chefe de gabinete da reitoria, o procurador geral da USP e os superintendentes de relações institucionais e assistência social.

“Importante destacar que, por dever legal, o gestor público tem obrigação de pedir a reintegração de posse do imóvel invadido”, afirma a nota da assessoria.  No entanto, a reitoria espera que o impasse seja resolvido antes da atuação da Polícia Militar, que será acionada para cumprir a ordem judicial.

Patricia Blumberg – colaboradora

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