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UNE propõe Jornada Continental de Lutas durante o 16º CLAE

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Pelo contrario. Por todas as partes, o que se via eram cores e bandeiras, palavras de luta e rotos pintados. Dentro dos comércios, manchetes anunciavam “a mais nova capital dos jovens latino-americanos, por pelo menos cinco dias”. A impressão que as ruas da cidade passam é de uma América Latina mais unida e cada vez mais jovem.

Este segundo dia de atividades foi bastante agitado. A única baixa ficou por conta da prorrogação da marcha que irá relembrar os estudantes mártires no combate das ditaduras na América Latina. Por causa da chuva, a grande passeata, que estava programada para acontecer nesta sexta, foi remarcada para domingo, às 16h, com o mesmo itinerário: desde a Universidade da República até o Palácio Legislativo.

Essa marcha é organizada anualmente pela FEUU (Federação de Estudantes Universitários do Uruguai) em memória a Liber Arce, o primeiro mártir estudantil de combate à ditadura uruguaia, morto em 1968. Dessa vez, como vem acontecendo durante o Congresso, serão homenageados estudantes vítimas dos regimes militares de todo o continente. Na ocasião, quatro brasileiros serão homenageados: os estudantes João Carlos Haas Sobrinho, desaparecido em 1972; Honestino Monteiro Guimarães, desaparecido em 1973; Edson Luis de Lima Souto, morto em 1968 e Helenira Rezende de Souza Nazareth, também assassinada em 1968.

Debates simultâneos

Como previsto na programação do evento, uma série de debates simultâneos aconteceram na tarde desta sexta-feira. A UNE e a UBES coordenaram algumas mesas, entre elas “Políticas públicas para a juventude”, “Livre acesso e educação gratuita” e “Esporte como direito dos povos e elemento de integração continental”. Figuras importantes do Brasil também participaram das discussões, como Ângela Guimarães, da Secretaria Nacional de Juventude; Helgio Trindade, reitor da UNILA; e Yann Evanovick, presidente da UBES.

Ângela Guimarães, que foi uma das convidadas para debater políticas públicas para a juventude, apresentou um panorama retomando o processo histórico da constituição da Secretaria Nacional de Juventude, articulada com o Conselho Nacional de Juventude. Ela ressaltou o papel da secretaria, que tem como ações prioritárias para os próximos anos a consolidação do paradigma jovem como sujeito de direito; a aprovação dos marcos legais da juventude; consolidação de uma Rede de Conselhos de Juventude e ações de fortalecimento das ações de Políticas Publicas de Juventude.

Ainda foram feitas reflexões sobre a importância do controle social das políticas públicas, pensando como a organização e o investimento nos debates em que sociedade civil e gestores públicos estão envolvidos podem, de fato, construir um diálogo coerente e necessário para a efetivação de políticas eficazes na superação de direitos básicos à sobrevivência no universo juvenil.

“Jovens vistos como problema é uma concepção que foi fruto de muito embate político. Entidades como a UNE, que esta prestes a completar 75 anos de história, pressionam diariamente contra esta concepção, e isso também acontece em toda América Latina. Não podemos parar de lutar para conquistar todos os direitos”, observou Ângela, acompanhada de uma salva de palmas.

Fórum deliberativo discute as principais questões da América Latina

Enquanto os debates simultâneos cumpriam o propósito de despertar a reflexão nos jovens presentes, acontecia no Paraninfo da Faculdade de Direito da Universidade da República uma reunião com todos os representantes dos países da América Latina no CLAE.

Mediado pelo presidente da OCLAE, Iordanis Charchaval, todos os dirigentes tiveram um tempo de fala e puderam expor sistematicamente a atual conjuntura de seus respectivos países. A pauta sobre uma educação gratuita e de qualidade foi o tema central, mas também foram amplamente discutidos a proteção dos salários mais altos para os trabalhadores, a justiça social, erradicação da pobreza e da exploração indiscriminada, o embate aos governos neoliberais e as políticas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Várias foram as lutas que explicitaram e muitos serão os desafios para os próximos anos.

Todos eles, em nome de seus membros e associados, manifestaram solidariedade e apoio ao movimento estudantil no Chile. Mesmo diante do quadro de mobilizações que o pais se encontra hoje, o diretor de Relações Internacionais da Confederação dos Estudantes no Chile (CONFECH), Paul Floor fez questão de comparecer ao CLAE e estava presente nesta reunião. Ele reconheceu a importância do evento como um grande instrumento de combate e reafirmou que os estudantes no Chile continuarão ocupando as ruas até que as reivindicações sejam garantidas.

Paul também fez um balanço geral da situação e explicou que o país é o primeiro da América Latina a implementar reformas de cunho neoliberal. “O Chile sustenta bons níveis de crescimento econômico mas sofre com a desigualdade social. Durante seu governo de quase duas décadas, o general Augusto Pinochet reduziu o repasse do Produto Interno Bruto (PIB) à educação de 7% para 2,3%. Para efeito de comparação, Brasil e Argentina investiram mais de 5% no mesmo período”, avaliou.

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, aproveitou para apresentar a todos a principal bandeira de luta da entidade, que é exatamente o aumento neste investimento. Hoje, a UNE luta para que 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal sejam destinados à educação. Iliescu também propôs a todos os representantes uma Jornada Continental de Lutas organizada pela OCLAE ainda este mês.

“A integração da América Latina é também a integração das nossas lutas. Proponho esta jornada para unir a força de nosso continente, pois é exatamente aqui que se constrói as saídas da esquerda. Nosso grande desafio é mobilizar massivamente a juventude não somente para resistir, mas para avançar”, pontuou.

As atividades continuam até domingo e a expectativa é que mais de 5 mil jovens participem do grande encontro.

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