Marcha das centrais reúne 80 mil e para as ruas de São Paulo

Manifestação reuniu 80 mil estudantes e trabalhadores nas ruas de São Paulo pela redução da jornada de trabalho e 10% do PIB para a educação

Acostumado a receber as cores de grandes times de futebol que duelam entre si, na manhã dessa quarta-feira (03/08), o Estádio do Pacaembu recebeu as cores dos balões, faixas e bandeiras das forças sindicais, movimentos sociais e movimento estudantil, em uma das maiores manifestações já vistas na cidade de São Paulo.

Mais de 80 mil manifestantes da CTB, a UGT, a Força Sindical, a Nova Central e a CGTB, de diversos movimentos sociais, da UNE, UBES, UPES e UEE-SP se encontraram na Praça Charles Miller a partir das 9h30 para marchar até a Assembléia Legislativa de São Paulo, onde aconteceu um ato que reuniu parlamentares, e os presidentes da Força Sindical, Paulinho da Força; da UNE, Daniel Iliescu e da CTB, Wagner Gomes.

Manifestação fecha avenidas na cidade

Em seu caminho, os manifestantes pararam o trânsito de duas grande avenidas da cidade: a Doutor Arnaldo e a Paulista, que, inclusive, teve uma de suas faixas fechadas exclusivamente para a caminhada. Os manifestantes defenderam a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salário, o fim do fator previdenciário, visando uma política de valorização das aposentadorias, e a destinação de 10% do PIB para a educação.

O presidente da CTB, Wagner Gomes, ressaltou a importância de pressionar o Congresso Nacional para que coloque em votação a redução de 44 para 40 horas da jornada semanal de trabalho, sem que haja redução de salário. Sobre as bandeiras de luta da manifestação ele disse: “A pressão sobre o governo é, também, para que tome medidas que alterem a atual política econômica. Somente com a redução dos juros será possível que o Brasil dê início a uma nova política de desenvolvimento, que valorize o trabalho e a classe trabalhadora”.

Movimento estudantil e forças sindicais unidas em suas bandeiras de luta

A passeata, histórica, apostou na unidade como elemento fundamental para atingir novas conquistas. “Estarmos juntos aqui, hoje, é muito importante para que nossas bandeiras de luta ganhem ainda mais força”, disse o presidente da UEE-SP, Alexandre “Cherno”.

Lado a lado com os trabalhadores, centenas de estudantes e lideranças do movimento estudantil de diversas entidades como a UBES, UPES, e UEE marcharam por quase 6km rumo à Assembléia. A diretora da UNE, Virgínia Barros, concordou com Alexandre: “Seremos os trabalhadores de amanhã. Estamos juntos nessa luta”.

O presidente da UPES, Tarcisio Boaventura, ressaltou a relação intrínseca existente entre a luta dos trabalhadores e dos estudantes reforçando a importância de destinar 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-Sal para educação, uma das principais bandeiras de luta da UNE, também defendida na passeata pelas forças sindicais: “Queremos uma cidade com mão de obra qualificada, que é a espinha dorsal social. Por isso é tão importante o investimento em Educação”.

Durante a manifestação, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, chamou os estudantes para as causas dos trabalhadores e ressaltou a importância de levantar e lutar pelas bandeiras do movimento estudantil. “A nossa união colocou mais de 80 mil pessoas nas ruas de São Paulo. Queremos a redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário, fim dos juros altos e 10% do PIB para educação”.

Ato final da manifestação reúne lideranças e parlamentares

A passeata chegou ao fim por volta das 14hs, quando aconteceu o ato em frente à Assembléia. O vereador Netinho de Paula também demonstrou sua alegria com o acontecimento: “Esse é um dia que entra para a história. Todos aqui, unidos pela redução da jornada de trabalho e pela educação do país”.

A passeata foi encerrada ao som do hino da independência do Brasil. A respeito desse grande momento, o presidente da Força Sindical, Paulinho da Força, declarou: “É muito importante unir os movimentos. Os estudantes estiveram presentes em 1964 e no “Fora Collor”, dois grandes momentos da história do Brasil. Hoje, talvez, a presença dos estudantes aqui seja o fator mais importante”.

Agosto verde e Amarelo

O grande ato dessa quarta-feira marca o início do “Agosto Verde e Amarelo”, mês em que o movimento estudantil comemora o aniversário de 74 anos da UNE, dia 11. “Será um mês de luta em defesa do Brasil. Começa hoje com esta grande passeata das centrais e culmina no dia 31 de agosto, em Brasília, com a marcha dos estudantes”, explicou Iliescu.

A UNE, UBES e ANPG –em parceria com as centrais sindicais e o conjunto dos movimentos sociais- promoverão ao longo do mês atos, debates, e ocupações em todo o país com o objetivo de reduzir a jornada de trabalho para 40h semanais. Uma grande #marchadosestudantes verde e amarela está convocada para tomar Brasília no dia 31 de agosto. Pelas redes sociais será lançada a campanha #educação10, para garantir 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal para a educação.

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