Artista foi o homenageado da Mostra de Audiovisual, que também trouxe um ode ao cinema baiano   

O homenageado da Mostra de Audiovisual, o ator baiano Antônio Pitanga, esteve presente na 11ª Bienal da UNE, para a exibição do premiado documentário “Pitanga” sobre a sua trajetória, que seguiu para um debate sobre o filme no auditório da FAPCOM.

A conversa com o ator que completa 80 anos em 2019 – e 60 anos de carreira – e foi bastante intensa e uma verdadeira aula sobre o cinema baiano, o movimento Cinema Novo, a arte como resistência política e  – claro –  a intensa carreira do ator, que cruza com o CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE, nos anos 60.

Como ele se define: “Não sou um homem de movimento. Sou um homem em movimento”, sua vida é marcada por arte, militância política e social.

O ator que já atuou em mais de 60 filmes contou à plateia como foi cruzar com o CPC, quando tinha acabado de chegar ao Rio de Janeiro, que é o embrião do que hoje é o Cuca da UNE e a Bienal da entidade.

“Eu já estava com todas aquelas ideias de conscientização política e social e ao pisar em solo carioca, esse projeto maravilhoso ‘caiu no meu colo’.  Era algo efervescente, inovador,  que possibilitava uma troca com artistas muito bons, e que nos deu muita força para encarar a ditadura”, lembrou.

Pitanga acrescentou ainda que há muita semelhança com aqueles tempos e hoje.

“Porém temos uma diferença: antes foi o golpe da farda, agora, é o golpe do voto”.

Para ele, observando a atuação da juventude daquela época e atualmente, confessa que novamente esse é o foco da resistência.

“Juventude hoje tem um papel muito difícil! Nós, os velhos, podemos apontar o caminho que já traçamos. Os jovens nos chamam para agregar e não ficarmos omissos. Eu quero lutar nesse momento mas preciso da juventude me chamando: ‘Vamos, vovô!’”, brincou.

O cinema baiano

Além do documentário, Pitanga, foi exibido o filme “O cinema foi à feira”, que faz uma homenagem mais de 50 anos depois à obra pioneira do cinema baiano e do movimento Cinema Novo, que tem sua cerne no estado da Bahia, “A Grande feira”.

Participaram do da homenagem Paulo Hermida, diretor do documentário e o lendário cineasta baiano Roque Araújo.

Eles relembraram a trajetória do Cinema Novo, o mais importante movimento do cinema brasileiro, e que “A grande feira”, de Roberto Pires, foi filmado em um momento de polarização política como o que está acontecendo atualmente, e trata da luta de moradores ameaçados de despejo.

Para eles, sim, devemos ficar de olho no que vem de obras durante esse momento de batalhas entre uma resistência artística e um avanço conservador. Novas ideias na cabeça estão surgindo!