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25 de julho de 2006
UBES: 58 anos pela construção de uma sociedade democrática

A batalha pela consolidação de um ensino amplo, de qualidade e gratuito não começou na luta contra a ditadura militar (1964-85), no "Fora Collor" (1992) ou na Era FHC (1995-2002). Os desafios dos estudantes secundaristas de buscar um país mais livre e soberano sempre estiveram postos. Em 1948, um grupo se reuniu com o objetivo de organizar o movimento e, dessa articulação, resultou a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

São poucas as instituições brasileiras que conseguem se manter vivas durante tanto tempo. Portanto, esse é o momento de refletir e pesquisar a história da UBES. Na iniciativa de comemorar essa longa caminhada, o Estudantenet prepara um resgate histórico para os visitantes do portal. A partir dos próximos dias até 31 de outubro, quando se comemoram os 25 de reconstrução – a UBES ficou 17 anos na ilegalidade, imposta pela ditadura militar –, nossa reportagem fará diversas matérias especiais com o intuito de refrescar a memória de luta e passar um pouco da experiência de ex-presidentes da entidade.

A UBES foi protagonista em importantes lutas dos brasileiros, como a briga pelo passe estudantil, a luta pela quebra do acordo entre a USAID (agência norte-americana) e o MEC (1968), pela anistia e pela redemocratização (1979), pelas "Diretas Já" (1984), por uma a educação de qualidade, no "Fora Collor" (1992) e em tantas outras batalhas que mudaram o país.

Reconstrução
Em 1964, com o golpe militar, a UBES, assim como a UNE, entraram na clandestinidade, mas mantiveram a suas atividades na ilegalidade. Em 1968, com o Ato Inconstitucional número 5 (AI-5), a entidade praticamente parou com suas ações. Apenas em 1981 os estudantes secundaristas conseguiram se organizar novamente.

Para se ter idéia, o congresso da reconstrução da UBES, que aconteceu em Curitiba (PR), até poucos dias antes do início não tinha lugar para acontecer. Um antigo galpão, sem o teto, banheiros, salas e cadeiras, serviu de base pra as discussões. No local, apenas muita poeira. Apesar do "perrengue", mais de dois mil estudantes estiveram presentes. Muitos foram para o Sul do país sem dinheiro para voltar. Pedágios foram armados para levantar recursos. De acordo com Apolinário Rebelo, presidente da entidade entre 1983 e 1984, teve gente que esperou até 15 dias para conseguir voltar para casa.

Logo que foi reconstituída, a UBES teve o desafio e orgulho de participar das campanhas pela redemocratização do país. "Fui o primeiro orador do Comício da Candelária, no Rio, que reuniu um milhão de pessoas (em abril de 1984)", relembra Apolinário Rebelo.

Mais jovem do que nunca
"Acredito que, desde a reconstrução, esse é o período em que os estudantes secundaristas brasileiros têm tido mais vitórias e conquistas. Temos que aproveitar este momento de maior democracia e desejo de mudanças no país para conquistar ainda mais", observa o atual presidente da UBES, Thiago Franco.

"Além da inclusão da filosofia e sociologia no ensino médio, estamos perto de aprovar o Fundeb, aprovamos a Reserva de Vagas em várias universidades públicas pelo país, novas possibilidades estão abertas para o ensino técnico – que pode voltar a ser vinculado ao médio –, o Prouni é uma realidade. É preciso pressionar os deputados para votarem o Fundeb e a Reserva de Vagas. E a luta pelo passe livre continua sendo nossa maior prioridade diante da grande crise que se encontra o transporte público urbano as principais cidades do país", avalia Thiago.

Um dos maiores desafios atuais da entidade, segundo Thiago, é a ampliação da rede do movimento estudantil secundarista em todo o país. "Precisamos nos organizar mais para tornar o movimento estudantil cada vez mais plural, democrático, transparente, participativo, propositivo e de luta", pondera.

Para o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, a luta conjunta com a UBES constitui um corpo de entidades que, ao longo de todos esses anos, mantiveram a bandeira da defesa da educação. "Por isso, a data comemorada hoje significa que estamos de pé e a juventude continua nas ruas", salienta Petta.

Já o ex-presidente da UBES na gestão 1995-97, Kerison Lopes, ressalta que a entidade continua firme na luta pelo ideal de defender quem mais precisa e, nessa luta, ganha muitos inimigos. "A UBES representa os mais pobres, um projeto de mudança na sociedade brasileira. Por isso, é atacada pela mídia e pela direita conservadora. A UBES é um sonho coletivo da juventude", diz.

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Ex-Presidentes da UBES após a reconstrução

1981 - Sérgio Amadeu da Silveira

1982 - Não teve congresso

1983 - Apolinário Rebelo

1984 - Delcimar Pires

1985 - Selma de Oliveira

1986 - Rovilson Brito

1987 - Altair Lebre

1988 - Manoel Rangel

1989 - Manoel Rangel

1990 - Não teve congresso

1991 - Leila Márcia Santos

1992 - Mauro Panzera

Antonio Parente (Totó)

1993 - Joel Benin

1995 - Kerison Lopes

1997 - Juana Nunes

1999 - Carla Santos

2002 - Igor Bruno Freitas

2004 - Marcelo Gavião

2005 - Thiago Franco


Da redação


 
 

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